Ar péssimo: fumaça volta a encobrir Manaus e municípios da Região Metropolitana

Monitoramento aponta concentração de partículas finas acima de 100 µg/m³; poluição volta a acender alerta para os impactos das queimadas e os riscos à saúde da população

Manaus e municípios da Região Metropolitana voltaram a amanhecer sob uma forte camada de fumaça, cenário que compromete a qualidade do ar e reacende o alerta para os efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde da população.

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) apontaram concentrações de partículas finas superiores a 100 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em pontos monitorados. O cenário indica elevada presença de material particulado na atmosfera, justamente o tipo de poluente associado à fumaça produzida por queimadas e incêndios florestais.

As chamadas partículas finas (especialmente o PM2,5, com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros) representam uma das principais preocupações durante períodos de fumaça intensa. Por serem extremamente pequenas, conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e estão associadas ao agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares.

A situação merece atenção especial entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares, grupos mais vulneráveis aos efeitos da exposição à poluição.

Fumaça volta ao cotidiano da capital

A presença da fumaça novamente sobre Manaus traz de volta uma situação que se tornou especialmente crítica nos últimos anos durante o período de estiagem na Amazônia. Além de reduzir a visibilidade e alterar a paisagem da cidade, a poluição afeta diretamente a rotina da população.

O fenômeno também ultrapassa os limites da capital. Municípios da Região Metropolitana enfrentam o mesmo problema, evidenciando que a deterioração da qualidade do ar possui dimensão regional e está relacionada à dinâmica das queimadas e dos incêndios registrados no Amazonas e em áreas próximas.

A origem exata da fumaça que chega a Manaus, no entanto, exige análise de dados de focos de calor, direção e velocidade dos ventos e imagens de satélite. A presença da camada sobre a cidade, isoladamente, não permite determinar de quais municípios ou áreas partiram as emissões.

Partículas invisíveis, impactos reais

Embora a fumaça seja facilmente percebida pelo cheiro e pela redução da visibilidade, parte importante do risco está justamente no que não pode ser visto a olho nu.

O material particulado fino permanece suspenso no ar e pode ser inalado. Quanto maior a concentração e o período de exposição, maior a preocupação com possíveis efeitos sobre a saúde.

Em episódios de forte poluição atmosférica, medidas de proteção incluem reduzir atividades físicas intensas ao ar livre, manter portas e janelas fechadas quando houver grande concentração de fumaça e buscar orientação médica diante de sintomas como falta de ar, chiado no peito ou agravamento de doenças respiratórias.

O retorno da fumaça coloca novamente a qualidade do ar no centro das preocupações ambientais e de saúde pública em Manaus. Mais do que uma alteração na paisagem, a névoa que encobre a cidade representa partículas em suspensão sendo respiradas diariamente por milhares de pessoas.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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