Brigadas federais mantêm operações de prevenção e combate ao fogo no Amazonas e em Rondônia, enquanto governo amplia estrutura de proteção ambiental diante do período crítico de seca
O avanço do período de estiagem mantém a Amazônia em estado de atenção para os incêndios florestais e amplia a mobilização dos órgãos responsáveis pela proteção ambiental. No Amazonas e em Rondônia, brigadas federais estão posicionadas em áreas consideradas estratégicas para prevenção, monitoramento e combate ao fogo, enquanto o governo federal reforça a atuação integrada na Amazônia Legal.
No Amazonas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), autorizou para 2026 a contratação de brigadas em Apuí, Autazes e Humaitá, municípios localizados em áreas historicamente vulneráveis ao fogo durante a estação seca.
Cada uma dessas brigadas pode contar com um chefe, quatro chefes de esquadrão e 24 brigadistas, formando equipes destinadas especificamente às ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
A estrutura federal também inclui profissionais voltados ao monitoramento e à gestão das ocorrências. O planejamento do Prevfogo prevê agentes federais de informação em Manaus e Humaitá, além de equipes especializadas em manejo integrado do fogo.
Em Rondônia, Porto Velho abriga uma das brigadas federais especializadas de Pronto Emprego do Ibama. Esse tipo de equipe pode ser deslocado rapidamente para áreas onde os incêndios apresentam maior gravidade ou onde a capacidade local precisa ser reforçada.
Estiagem amplia risco na floresta
A mobilização ganha importância justamente durante os meses mais secos da Amazônia.
A redução das chuvas diminui a umidade da vegetação e deixa grandes áreas mais suscetíveis à propagação das chamas. O cenário se torna ainda mais delicado quando temperaturas elevadas, baixa umidade e queimadas provocadas por atividades humanas ocorrem simultaneamente.
Embora o fogo seja utilizado tradicionalmente em determinadas atividades rurais, incêndios que escapam das áreas de uso planejado podem avançar para pastagens, áreas degradadas e formações florestais.
O problema não se restringe à perda de vegetação. Grandes concentrações de focos de incêndio podem gerar extensas plumas de fumaça, deteriorar a qualidade do ar e atingir cidades localizadas a centenas de quilômetros das áreas queimadas.
Na Amazônia, o desafio é agravado pelas distâncias. Combater um incêndio em uma área remota pode exigir deslocamentos por rios, estradas não pavimentadas ou aeronaves, além do transporte de brigadistas, equipamentos, água, alimentos e combustível.
Porto Velho mantém operação permanente
Rondônia já mantém uma estrutura estadual específica para enfrentar a temporada do fogo. A Operação Verde Rondônia acompanha diariamente as ocorrências e divulga boletins sobre as ações realizadas no estado.
A estrutura federal funciona paralelamente. Porto Velho está entre os municípios contemplados pelo Prevfogo e abriga uma brigada especializada de Pronto Emprego.
Além da capital, o planejamento federal contempla brigadas em Cacoal, Costa Marques, Guajará-Mirim, Machadinho d’Oeste e Nova Mamoré, ampliando a cobertura operacional no estado.
Essas equipes atuam não apenas na resposta direta aos incêndios, mas também em prevenção, monitoramento e ações de manejo integrado do fogo.
Proteção federal será reforçada
A atuação federal na Amazônia Legal terá ainda um reforço nas próximas semanas.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou, no início de setembro, a prorrogação por mais 90 dias da atuação da Força Nacional de Segurança Pública em apoio ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A nova autorização valerá entre 21 de setembro e 19 de dezembro de 2026 e abrange as áreas de atuação do instituto em toda a Amazônia Legal.
Entre as missões previstas estão o combate ao desmatamento, extração ilegal de madeira e minério, invasões de áreas federais e incêndios na vegetação.
A operação será realizada de maneira articulada com órgãos federais e estaduais de segurança e proteção ambiental e integra o Plano Amazônia: Segurança e Soberania, o Plano Amas.
O reforço evidencia que o combate ao fogo está inserido em uma estratégia ambiental mais ampla. Isso porque incêndios florestais na Amazônia frequentemente estão associados a outros processos de degradação, como desmatamento, ocupação irregular e abertura ilegal de áreas.
Prevenção se torna decisiva
Com a estação seca avançando, a estratégia não pode depender exclusivamente da resposta depois que o incêndio começa.
As brigadas do Prevfogo também trabalham com prevenção, monitoramento e manejo integrado do fogo, buscando identificar áreas vulneráveis e reduzir as condições para que uma ocorrência se transforme em incêndio de grandes proporções.
No Amazonas, onde municípios como Apuí e Humaitá estão localizados no chamado arco do desmatamento, a presença dessas equipes ganha importância adicional.
A combinação entre estiagem, altas temperaturas e grandes extensões de floresta transforma os próximos meses em um período decisivo para a Amazônia.
Nesse cenário, a capacidade de resposta dependerá não apenas do número de brigadistas em campo, mas da integração entre Ibama, ICMBio, governos estaduais, municípios, forças de segurança e demais órgãos federais, além da disponibilidade de transporte e equipamentos para alcançar rapidamente áreas remotas.
Na maior floresta tropical do planeta, combater o incêndio antes que ele alcance grandes proporções continua sendo uma corrida contra o tempo, as distâncias e o avanço da estação seca.

