Amazonas enfrenta período crítico de estiagem e altas temperaturas, enquanto fumaça de queimadas volta a atingir Manaus e municípios da Região Metropolitana
O Amazonas atravessa um período de emergência climática e ambiental, em meio aos impactos da estiagem, das altas temperaturas e do aumento do risco de queimadas. Com a redução das chuvas e o avanço do período mais seco do ano, o cenário amplia a vulnerabilidade de diferentes regiões do estado e já produz reflexos diretos na qualidade do ar respirado pela população.
A seca, além de afetar rios, comunidades e atividades econômicas que dependem da navegação, cria condições favoráveis à propagação do fogo. A vegetação mais seca, as temperaturas elevadas e a ocorrência de queimadas formam uma combinação que aumenta o risco de incêndios e, consequentemente, a emissão de grandes volumes de fumaça na atmosfera.
É nesse contexto que Manaus e municípios da Região Metropolitana voltaram a registrar uma forte camada de fumaça, alterando a paisagem e acendendo o alerta para os riscos à saúde.
O monitoramento da qualidade do ar apontou concentrações elevadas de partículas finas, o chamado PM2,5, poluente associado à fumaça das queimadas. Em alguns pontos monitorados, os valores ultrapassaram 100 microgramas por metro cúbico (µg/m³), atingindo níveis considerados críticos.
Fumaça vem de municípios vizinhos
A fumaça que chega à capital está relacionada principalmente às queimadas registradas em municípios próximos. Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru estão entre as áreas apontadas como fontes da fumaça transportada pelas correntes de ar em direção a Manaus.
O deslocamento dos poluentes ajuda a explicar por que a capital pode registrar uma deterioração significativa da qualidade do ar mesmo quando parte dos focos de queimadas está localizada a dezenas ou centenas de quilômetros de distância.
O problema não se limita, portanto, ao local onde o fogo ocorre. Dependendo das condições meteorológicas, a fumaça pode percorrer grandes distâncias e atingir áreas densamente povoadas, ampliando o número de pessoas expostas ao material particulado.
Partículas finas preocupam
Um dos principais riscos está nas partículas PM2,5, que possuem diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem extremamente pequenas, podem penetrar profundamente no sistema respiratório.
A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse e desconforto, além de agravar problemas respiratórios e cardiovasculares. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos que exigem maior atenção durante os períodos de piora da qualidade do ar.
Em dias de fumaça intensa, a recomendação é diminuir a exposição ao ambiente externo, evitar exercícios físicos ao ar livre nos horários mais críticos, manter-se hidratado e procurar atendimento de saúde caso apareçam sintomas mais intensos, especialmente dificuldade para respirar.
Seca amplia o alerta no Amazonas
A presença da fumaça sobre Manaus é mais um sinal dos efeitos associados ao período de estiagem no estado. A diminuição das chuvas e a redução da umidade deixam a vegetação mais suscetível ao fogo e aumentam a preocupação com a expansão das queimadas e dos incêndios florestais.
O problema ganha dimensão ainda maior na Amazônia porque os efeitos da seca não ficam restritos ao meio ambiente. A redução dos níveis dos rios pode comprometer o transporte de passageiros e mercadorias, dificultar o acesso de comunidades do interior a serviços essenciais e afetar atividades como pesca, agricultura e abastecimento.
Ao mesmo tempo, o fogo acrescenta outro componente à crise: a poluição atmosférica. A fumaça produzida em uma área pode alcançar outros municípios e transformar uma ocorrência ambiental localizada em um problema regional de saúde pública.
Em Manaus, o céu encoberto e a redução da visibilidade tornam perceptível uma ameaça que vai além da paisagem. A fumaça carrega partículas microscópicas que permanecem suspensas no ar e são inaladas pela população.
Com o Amazonas sob emergência climática e ambiental e ainda atravessando o período de estiagem, o acompanhamento dos níveis dos rios, dos focos de queimadas e da qualidade do ar torna-se fundamental para dimensionar os impactos da seca e orientar medidas de prevenção e proteção à população.

