Amazon On 2026 reúne especialistas e empresas em Manaus para discutir conectividade e desenvolvimento sustentável da Amazônia

Evento realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques colocou em debate infraestrutura digital, transição energética, inovação e soluções para os desafios sociais e ambientais da região

Manaus recebeu, nos dias 5 e 6 de agosto, a terceira edição do Amazon On 2026, encontro que reuniu representantes do poder público, empresas, pesquisadores, universidades, organismos internacionais e instituições da sociedade civil para discutir caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia a partir da tecnologia, conectividade e inovação.

Realizado no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, o evento contou com oito painéis distribuídos ao longo dos dois dias. A programação abordou temas como transição energética, tecnologia a serviço da floresta, expansão da conectividade digital, infraestrutura de telecomunicações e energia, soberania, sustentabilidade e experiências desenvolvidas na própria região.

Entre as instituições e empresas participantes estiveram Huawei, HMN Technologies, Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fundação Amazônia Sustentável (FAS), além de representantes de órgãos como Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A programação também contou com especialistas brasileiros e internacionais.

Um dos principais pontos levantados durante o encontro foi a necessidade de compreender a conectividade não apenas como acesso à internet, mas como uma infraestrutura capaz de ampliar oportunidades em áreas como educação, saúde, geração de renda e conservação ambiental.

Na abertura do ciclo de palestras, o superintendente-geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgílio Viana, relacionou diretamente o acesso à tecnologia aos desafios socioambientais enfrentados pela região.

“A Amazônia está perto de um ponto de colapso ecológico e a conectividade é parte das soluções para mudar a trajetória de desenvolvimento da Amazônia para a prosperidade das pessoas e da natureza”, afirmou Viana durante o evento, em declaração publicada pelo Portal Amazônia.

O especialista também defendeu que as respostas aos desafios amazônicos precisam ser construídas de forma coletiva. Durante sua apresentação, Viana destacou a importância do diálogo entre diferentes setores para pensar o futuro da região.

Energia e conectividade no centro das discussões

A transição energética também ocupou espaço central no Amazon On 2026. Um dos painéis discutiu descarbonização, novas tecnologias e experiências que buscam ampliar o fornecimento de energia levando em consideração as características territoriais e sociais da Amazônia.

Participaram desse debate representantes da academia, do setor regulatório e da iniciativa privada. Entre eles esteve Roberto Valer, CTO da Huawei Digital Power Brasil, que apresentou experiências desenvolvidas pela companhia em países latino-americanos, incluindo Brasil, Chile, Colômbia, Peru e México.

Durante o painel, a especialista em Regulação Econômica da Aneel Camila Bomfim chamou atenção para a necessidade de considerar fatores como pobreza energética, capacidade de replicação das soluções, fortalecimento das comunidades e valorização das culturas locais na implantação de novos projetos.

A participação das populações que vivem nos territórios também foi defendida pelo diretor do Centro de Desenvolvimento Energético Amazônico da Universidade Federal do Amazonas (CDEAM/Ufam), Nilton Pereira da Silva.

“Embora tenhamos a solução energética desenvolvida até dentro da academia é de grande importância que possamos ouvir e entender aquelas pessoas das comunidades”, afirmou o professor durante o Amazon On, segundo o Portal Amazônia.

A discussão reforçou um dos pontos recorrentes da programação: soluções desenvolvidas para a Amazônia precisam considerar as particularidades de uma região marcada por grandes distâncias, comunidades isoladas e forte dependência dos rios para deslocamento e atividades econômicas.

Infraestrutura digital como instrumento de inclusão

Durante a abertura do encontro, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, também destacou o papel estratégico da Amazônia na expansão da infraestrutura digital brasileira. A abordagem apresentada pelo ministro relacionou conectividade a educação, saúde, inovação e desenvolvimento sustentável, além da necessidade de soluções adaptadas às condições amazônicas.

A expansão da conectividade esteve presente em diferentes momentos da programação, incluindo debates sobre incentivos para ampliar o acesso digital, infraestrutura de telecomunicações e estratégias para levar conexão às áreas mais distantes da Amazônia Legal.

A programação oficial incluiu ainda discussões sobre soberania e sustentabilidade a partir da infraestrutura de telecomunicações e energia, experiências de sucesso desenvolvidas na região e o papel da Amazônia no cenário internacional.

Empresas e instituições aproximam diferentes setores

Além dos painéis, o Amazon On funcionou como espaço de articulação entre empresas, investidores, poder público, organismos multilaterais, pesquisadores e organizações que atuam diretamente na Amazônia.

O Grupo Rede Amazônica, por exemplo, participou com um espaço integrado reunindo Rede Amazônica, Amazon Sat e CBN Amazônia, com transmissões e interação com os participantes durante a programação.

A presença de companhias e instituições ligadas aos setores de telecomunicações, energia, tecnologia, logística e financiamento também ampliou a discussão sobre os investimentos necessários para enfrentar gargalos históricos da região.

Idealizado por Moisés Moreira, ex-conselheiro da Anatel e fundador da MMoreira Consulting, o Amazon On nasceu com a proposta de ampliar o debate sobre conectividade sustentável, infraestrutura e desenvolvimento na Amazônia. Segundo a organização, a iniciativa busca aproximar lideranças públicas, empresas, especialistas, universidades e projetos que desenvolvem soluções para a região.

Ao final de sua terceira edição, o encontro reforçou que a transformação tecnológica da Amazônia passa não apenas pela instalação de infraestrutura, mas pela capacidade de fazer com que conectividade, energia e inovação produzam resultados concretos para quem vive na região.

Em um território onde as distâncias e as particularidades geográficas ainda representam obstáculos ao acesso a serviços essenciais, o desafio colocado pelo Amazon On 2026 é fazer com que a tecnologia avance junto com inclusão social, desenvolvimento econômico e conservação da floresta.

Texto e foto: Beatriz Costa

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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