Estado registrou 433,9 km² sob alerta entre agosto de 2025 e julho de 2026; em toda a Amazônia, redução chegou a 36%, segundo dados do sistema Deter, do INPE
O Amazonas registrou queda de 46,7% nas áreas sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026. No período, foram identificados 433,9 quilômetros quadrados no estado, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
A redução amazonense foi superior à registrada no conjunto da Amazônia, onde os alertas diminuíram 36% no mesmo intervalo. Em toda a região, foram contabilizados 2.874,38 km², o menor resultado da série histórica para esse período, iniciada em 2016.
O resultado amazônico também ficou 55,6% abaixo da média dos últimos dez ciclos de monitoramento, reforçando a trajetória de redução observada nos últimos anos.
Apesar da queda expressiva, o Amazonas ainda aparece como o terceiro estado amazônico com maior área sob alerta, atrás do Pará, que registrou 987,27 km², e de Mato Grosso, com 834,41 km².
Amazonas reduz alertas quase pela metade
A queda de 46,7% coloca o Amazonas entre os estados que apresentaram as maiores reduções proporcionais no período.
Mato Grosso registrou recuo de 49%, seguido pelo Amazonas, com 46,7%; Rondônia, com 41,2%; Acre, com 35,3%; e Pará, com 25,5%.
Roraima seguiu na direção contrária. O estado contabilizou 272,6 km² sob alerta e apresentou aumento de 32,5% em comparação ao ciclo anterior.
Os números mostram que, embora a tendência regional seja de queda, a pressão sobre a floresta não ocorre de maneira uniforme entre os estados da Amazônia.
No Amazonas, a redução ganha relevância pela dimensão territorial do estado e pela presença de áreas de floresta que enfrentam diferentes pressões relacionadas à ocupação territorial e às atividades econômicas.
Amazônia registra menor resultado da série
No conjunto da Amazônia, a área sob alerta caiu de aproximadamente 4.495 km² no ciclo anterior para 2.874,38 km² entre agosto de 2025 e julho deste ano.
A redução de 36% representa o menor resultado registrado desde o início da série histórica utilizada para essa comparação.
O desempenho também ficou muito abaixo do padrão observado na última década. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a área identificada foi 55,6% inferior à média dos dez ciclos anteriores.
Os resultados foram apresentados pelo Governo Federal e pelo INPE em agosto, em São José dos Campos, durante a divulgação dos dados de monitoramento dos biomas brasileiros.
Além da Amazônia, o Cerrado apresentou redução de 7,8% nas áreas sob alerta, totalizando 5.119,46 km² no mesmo intervalo.
Alertas não são a taxa oficial de desmatamento
Há uma distinção importante na interpretação desses números.
Os dados divulgados são produzidos pelo Deter, sistema desenvolvido pelo INPE para detectar rapidamente alterações na cobertura vegetal por meio de imagens de satélite.
Sua principal função é produzir alertas que orientem ações de fiscalização e combate ao desmatamento.
Isso significa que os 2.874,38 km² não devem ser tratados como a taxa anual oficial de desmatamento da Amazônia.
Essa medição é realizada pelo Prodes, outro sistema do INPE, que produz anualmente o levantamento consolidado da supressão de vegetação nativa e serve como referência oficial para as políticas públicas de controle do desmatamento.
O Deter, por sua vez, funciona como uma ferramenta operacional. Os alertas permitem identificar áreas que apresentam sinais de supressão ou degradação e direcionar equipes de fiscalização para os pontos de maior pressão.
Desafio permanece mesmo com redução
O menor nível de alertas não significa, entretanto, que a pressão ambiental sobre a Amazônia tenha sido eliminada.
Além do corte raso da floresta, pesquisadores têm chamado atenção para a degradação florestal, provocada por fatores como incêndios, exploração madeireira e eventos extremos de seca.
Entre agosto de 2025 e abril de 2026, por exemplo, aproximadamente 4.420 km² de floresta foram afetados por degradação, enquanto os alertas de desmatamento no mesmo intervalo ficaram próximos de 1.700 km².
A diferença mostra que avaliar a conservação da Amazônia exige olhar além das áreas completamente desmatadas.
Secas severas, incêndios e degradação podem comprometer a estrutura da floresta mesmo quando não ocorre a retirada total da vegetação.
Redução reforça importância do monitoramento
O sistema Deter utiliza imagens obtidas por satélites para identificar alterações na vegetação e gerar informações destinadas principalmente aos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.
Os alertas são produzidos de forma contínua, permitindo uma resposta mais rápida diante de possíveis ocorrências de desmatamento.
Já o Prodes consolida anualmente informações com maior precisão e é utilizado como referência oficial para acompanhar a evolução da perda de vegetação nos biomas brasileiros.
No caso do Amazonas, a redução de quase metade das áreas sob alerta representa um resultado relevante, mas os 433,9 km² identificados no período mostram que o combate à perda de floresta continua sendo um desafio.
Para uma região que busca ampliar atividades ligadas à bioeconomia, ao manejo sustentável, à produção rural de baixo impacto e à valorização da floresta em pé, a redução do desmatamento também está diretamente relacionada à capacidade de conciliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico.

