Alegrete amanheceu triste com o falecimento de Bagre Fagundes

”E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer,
Como os potros, vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer.”

 

Cantor e compositor foi um dos ícones da música tradicionalista gaúcha e coautor do “Canto alegretense, um dos hinos do Rio Grande do Sul.

Morreu aos 86 anos o músico e compositor tradicionalista Euclides Fagundes Filho, conhecido como Bagre Fagundes. O falecimento foi confirmado pelo filho do artista, Ernesto Fagundes. O tradicionalista estava internado desde maio, após sofrer uma parada cardiorrespiratória ao engasgar durante um almoço em casa, em Porto Alegre.

Nascido em Uruguaiana, o músico iniciou sua trajetória se apresentando em programas de rádio em São Borja ainda jovem. Entre as principais contribuições do músico à cultura tradicionalista gaúcha está o Canto Alegretense, composto por ele e pelo irmão, Nico Fagundes.

Filho de Euclides Fagundes e Florentina Fagundes, Bagre foi casado com Marlene Vilaverde, com quem teve quatro filhos: Euclides, Ernesto, Luciana e Paulinho. Bagre fez parte do grupo Os Fagundes, formado por artistas da família e construiu sua carreira marcada pelo domínio da gaita de quatro baixos, instrumento com o qual percorreu todas as regiões do Rio Grande do Sul.

Após o anúncio do falecimento, o Theatro São Pedro lamentou a partida do compositor, nas redes sociais. “Bagre deixa um legado que seguirá inspirando diferentes gerações e ocupando um lugar permanente na história cultural do Rio Grande do Sul”, afirma a nota de pesar da instituição.

O governador Eduardo Leite também se manifestou sobre a morte do folclorista, ressaltando a “contribuição inestimável” à cultura do Rio Grande do Sul. “Em reconhecimento à grandeza desse legado, o Governo do Estado prestará a Bagre Fagundes uma última homenagem, recebendo seu velório no Palácio Piratini. Será uma forma de agradecer, em nome de todos os gaúchos, àquele que dedicou a vida a cantar, preservar e fortalecer a nossa cultura”, afirmou o chefe do Executivo.

Ao longo da sua vida dedicou-se à preservação e valorização das tradições do Estado gaúcho, deixando seu legado artístico e cultural que atravessa gerações.

 

“Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri.
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro,
Pedra moura das quebradas do Inhanduí.”

 

Escritora

Márcia Ximenes Nunes

Post Author: Márcia Ximenes Nunes

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