Aeroclube de Rondônia busca apoio em Brasília para evitar fechamento de base histórica da aviação

A diretoria do Aeroclube de Rondônia está em Brasília em uma mobilização de emergência para tentar reverter uma notificação que impede a realização de pousos em sua base operacional. A medida coloca em risco a continuidade das atividades de uma das instituições mais tradicionais da aviação na Região Norte, responsável há mais de sete décadas pela formação de pilotos civis e pelo fortalecimento do setor aeronáutico no estado.

Segundo a direção da entidade, a restrição foi imposta mesmo com autorizações vigentes junto aos órgãos reguladores da aviação civil. A preocupação é que a medida resulte no fechamento do aeródromo, afetando alunos, instrutores, profissionais da aviação e toda a cadeia econômica ligada ao setor.

Diante do prazo de apenas cinco dias para apresentação de providências, o presidente Valdir Vargas e o vice-presidente Gilberto Scheffer iniciaram uma agenda de reuniões com parlamentares e representantes do governo federal. O objetivo é conseguir uma audiência com o Ministério de Portos e Aeroportos para discutir alternativas que garantam a continuidade das operações.

Mais do que uma escola de formação de pilotos, o Aeroclube de Rondônia faz parte da história do desenvolvimento de Porto Velho. Sua trajetória está ligada à expansão da aviação regional e ao crescimento urbano da capital rondoniense. O próprio bairro Aeroclube surgiu a partir da ocupação da área próxima à pista construída após a mudança das instalações da entidade ao longo do século passado.

A situação também reacende um debate nacional sobre o futuro dos aeroclubes brasileiros. Em diferentes regiões do país, instituições históricas enfrentam disputas relacionadas ao uso de áreas aeroportuárias, mudanças na gestão dos aeroportos e dificuldades para manter suas atividades. Especialistas alertam que o enfraquecimento dessas estruturas pode comprometer a formação de novos profissionais da aviação civil e reduzir a presença da aviação geral em estados onde o transporte aéreo desempenha papel estratégico.

Na Amazônia, onde grandes distâncias, rios extensos e limitações logísticas tornam o transporte aéreo um serviço essencial, a existência de centros de formação e infraestrutura aeronáutica possui relevância ainda maior. A aviação é frequentemente o principal meio de ligação entre comunidades isoladas, municípios do interior e centros urbanos, além de apoiar atividades de saúde, fiscalização ambiental, pesquisa científica e resposta a emergências.

Em nota pública, a direção do Aeroclube de Rondônia afirmou que continuará buscando o diálogo institucional para preservar as atividades da entidade. A instituição argumenta que o fechamento da base representaria não apenas a interrupção de uma escola de aviação, mas também a perda de um patrimônio histórico e estratégico para o desenvolvimento regional.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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