“Pampa” é um bioma caracterizado por planícies e campos, localizado principalmente no sul da América do Sul, abrangendo partes do Brasil, Argentina e Uruguai. No Brasil, o Pampa se restringe ao estado do Rio Grande do Sul, ocupando cerca de 63% do seu território. O termo “pampa” tem origem na língua quéchua e significa planície.

A trilha de longo curso “Caminhos do Pampa” está cada vez mais próxima de se consolidar como referência em turismo sustentável e valorização do patrimônio natural e cultural do sul do Brasil. Desenvolvido atualmente pelo Instituto Pró-Pampa, o projeto busca integrar lazer, preservação ambiental e identidade sociocultural.
Na última semana, a equipe do projeto “Caminhos do Pampa”: implementação, sustentabilidade e valorização dos saberes, mapeou mais 50 km de trajeto, conectando paisagens, manifestações culturais e empreendedores locais, fortalecendo a articulação regional.
Mais que um percurso, trata-se de um esforço coletivo que envolve moradores, instituições e poder público dos quatro municípios localizados na Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã — a maior unidade de conservação do Bioma Pampa. O coordenador do Instituto Pró-Pampa, Maycon Sanyvan, ressalta: “A contribuição dos voluntários dá continuidade ao trabalho iniciado por esse grupo comprometido, que compartilha conhecimento e acredita no potencial da iniciativa”.
A trilha promove conexão entre visitantes e comunidades, permitindo experiências autênticas, baseadas em saberes tradicionais. As próximas fases contemplam capacitação de profissionais locais e instalação da sinalização oficial, ampliando o protagonismo das populações envolvidas no fortalecimento do turismo regional.
O projeto é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no âmbito do GEF Terrestre, sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), com execução do FUNBIO e apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O diretor de turismo de Alegrete e diretor financeiro da Associação Caminho do Pampa (ACAPAMPA), Leonardo Cera, recebeu representantes do Instituto Pró-Pampa para alinhar ações. “Este é um legado construído ao longo dos anos, que transforma a trilha em rota de contemplação e integração entre os territórios abrangidos pela APA do Ibirapuitã”, afirmou.
Os Pampas, juntamente com a Mata de Araucárias, correspondem à província fitogeográfica das Napaeae de Martius (1858).
Ecologicamente, é um bioma caracterizado por vegetação composta principalmente por gramíneas, plantas rasteiras e algumas árvores e arbustos encontrados próximos a cursos d’água, que não são abundantes. E o principal motivo para essa característica curiosa da vegetação, são as queimadas naturais vindas do Cerrado que fazem com que o Pampa não seja capaz de ser coberto por árvores de grande porte.
Na parte brasileira do bioma, existem cerca de 3.000 espécies de plantas vasculares, sendo que aproximadamente quatrocentas são gramíneas, como o capim-mimoso.
Quanto aos animais, há, no Pampa, 102 espécies diferentes de mamíferos, como guaraxains, veados e tatus, 476 tipos de aves, como pica-paus, caturritas e anum-pretos, e 50 espécies de peixes.