Quase todo o litoral do Rio Grande do Sul se estende como uma linha reta de areia sem interrupção. Torres, no extremo norte da costa gaúcha, quebra a regra: é o único ponto do estado onde paredões rochosos de basalto avançam sobre o mar. As formações que dão nome à cidade são testemunhas da ruptura do Gondwana há milhões de anos e viraram cartão-postal de um destino que também virou capital brasileira do balonismo.
Por que Torres tem as únicas falésias basálticas do litoral gaúcho?
A geografia da cidade é uma exceção geológica no sul do Brasil. Os afloramentos de basalto se formaram durante a separação do supercontinente Gondwana e resistiram à erosão do oceano ao longo de milhões de anos. Segundo a Prefeitura de Torres, a área virou uma verdadeira sala de aula a céu aberto para observar as formações que revelam períodos importantes da evolução do planeta.
As “torres” que dão nome à cidade compõem hoje o Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, reconhecido pela UNESCO em 2022 como Geoparque Mundial. A cidade se emancipou em 21 de maio de 1878 e mantém marcas da colonização açoriana e alemã no centro histórico, mas foi a paisagem geológica que consolidou o destino turístico do litoral norte gaúcho.
O que fazer no Parque da Guarita, cartão-postal de Torres?
O Parque Estadual da Guarita fica a 10 km do centro e concentra o principal patrimônio natural da cidade. As trilhas atravessam três formações rochosas principais e desembocam em praias com visual único no país.
– Torre Norte (Morro do Farol): mirante natural mais concorrido de Torres, com vista para todas as praias, a Lagoa do Violão e as serras ao fundo. É de lá que se avistam as baleias-francas no inverno.
– Torre do Meio (Morro das Furnas): fica entre a Praia da Cal e a Praia da Guarita, com trilha que passa por cima do planalto.
– Torre Sul: dela se visualiza a Praia de Itapeva, a Praia da Guarita e a Torre da Guarita, formação que não permite subida.
– Praia da Guarita: cartão-postal do estado, cercada por paredões de basalto que criam pequenas enseadas de areia clara.
– Praia da Cal: acessada por trilha a partir da Torre Norte, um pouco mais reservada que a Guarita.
Como Torres virou a Capital Nacional do Balonismo?
A resposta está na combinação de dois fatores: ventos estáveis e grandes áreas livres para voo. O Festival Internacional de Balonismo começou na década de 1980 e cresceu até virar o maior evento do tipo no Brasil, reunindo pilotos de vários países durante o feriado de Semana Santa.
O reconhecimento oficial veio em 2004, quando a cidade recebeu o título de Capital Nacional do Balonismo por lei federal. Voos panorâmicos sobre as falésias, a Ilha dos Lobos e a Lagoa do Violão são oferecidos por operadoras locais o ano todo, mas ganham escala e cores durante o festival, quando dezenas de balões colorem o céu ao mesmo tempo.
Fonte Maura Pereira
Escritora

