Base da Força Nacional do SUS em Manaus monitora 62 municípios e prepara resposta a emergências climáticas

Estrutura do Ministério da Saúde acompanha os impactos das queimadas e da estiagem no Amazonas, com painel de controle para monitorar estoques de oxigênio medicinal e organizar rotas de abastecimento. Modelo brasileiro será apresentado na COP31, na Turquia.

Manaus concentra operação estratégica de saúde na Amazônia

O Ministério da Saúde ampliou a estrutura de preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar emergências provocadas pelas mudanças climáticas. No Amazonas, a base regional da Força Nacional do SUS (FN-SUS), instalada em Manaus em 20 de outubro de 2026, monitora 62 municípios distribuídos em nove regiões de saúde.

A unidade foi criada para fortalecer a capacidade de resposta da rede pública diante de eventos extremos, especialmente queimadas, fumaça e períodos prolongados de seca e estiagem, que dificultam o acesso aos serviços de saúde e o transporte de insumos essenciais.

Uma das principais ferramentas desenvolvidas pela equipe é um painel interno de monitoramento logístico. O sistema permite acompanhar a disponibilidade de oxigênio medicinal nos municípios, identificar possíveis necessidades de reposição, definir rotas de abastecimento e estimar o tempo necessário para a entrega dos insumos.

A ferramenta considera as particularidades geográficas do Amazonas, onde o deslocamento de materiais depende frequentemente das condições de navegabilidade dos rios e da disponibilidade de transporte aéreo.

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Painel organiza transporte de oxigênio durante a estiagem

A logística de abastecimento é um dos principais desafios enfrentados pelas equipes de saúde no interior do Amazonas. Em períodos de vazante, a redução do nível dos rios pode dificultar a circulação de embarcações, aumentar o tempo de deslocamento e comprometer a chegada de materiais indispensáveis ao atendimento médico.

O painel desenvolvido pela Força Nacional do SUS permite avaliar a situação dos estoques de oxigênio medicinal e planejar alternativas de transporte, incluindo embarcações e aeronaves.

Quando a base iniciou suas atividades, 43 municípios já haviam preenchido informações no sistema. A estrutura foi desenvolvida em parceria com a Superintendência do Ministério da Saúde no Amazonas e as secretarias estadual e municipais de Saúde.

É importante destacar que o painel descrito pelo Ministério tem como foco o monitoramento de insumos médicos, especialmente o oxigênio. A garantia de água potável também integra as ações federais de adaptação climática, mas não foi apresentada como uma função específica dessa ferramenta.

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Fumaça aumenta pressão sobre a rede pública

Além das dificuldades logísticas, as queimadas representam uma ameaça direta à saúde da população amazonense.

A exposição à fumaça pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, aumentando a procura por atendimento médico. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos que exigem maior atenção.

A atuação da base de Manaus envolve profissionais especializados em gestão, saúde, logística, comunicação de risco e mobilização comunitária. O trabalho também ocorre em articulação com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e os gestores locais.

O objetivo é identificar antecipadamente os pontos de maior pressão sobre a rede assistencial e dimensionar os recursos necessários para evitar interrupções no atendimento.

O Ministério também pode apoiar o abastecimento de oxigênio em situações de calamidade que coloquem vidas em risco, embora a responsabilidade regular pelo fornecimento às unidades do SUS seja das gestões locais.

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Brasil prepara expansão da Força Nacional do SUS

A experiência amazonense faz parte de uma estratégia nacional de descentralização da resposta a desastres climáticos.

Até novembro de 2026, cinco bases regionais da Força Nacional do SUS estavam em funcionamento, nas cidades de Manaus, Porto Velho, Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro.

A meta do Ministério da Saúde é permitir que equipes sejam mobilizadas em até 12 horas para atender localidades atingidas por emergências.

Desde 2023, a Força Nacional do SUS realizou 104 missões em 25 estados, mobilizando 2.423 profissionais e contabilizando 86.918 atendimentos em 531 dias de atuação.

A experiência acumulada inclui situações de enchentes, queimadas e outros eventos extremos que exigiram reforço das estruturas estaduais e municipais de saúde.

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AdaptaSUS prevê investimentos de quase R$ 10 bilhões

Outra iniciativa que será apresentada na COP31 é o AdaptaSUS, programa federal voltado ao fortalecimento da capacidade de adaptação do sistema público de saúde às mudanças climáticas.

O investimento previsto é de aproximadamente R$ 9,8 bilhões até 2035, destinado a preparar a infraestrutura e ampliar a capacidade de atendimento diante de eventos climáticos extremos.

Entre as medidas previstas estão:

  • Construção de 2.795 Unidades Básicas de Saúde com estruturas resilientes;

  • Entrega de 4.056 novas ambulâncias do SAMU;

  • Implantação de 783 soluções de acesso à água potável em territórios indígenas;

  • Instalação de 20,8 mil cisternas no semiárido brasileiro.

As iniciativas buscam fortalecer o atendimento em regiões vulneráveis, melhorar a infraestrutura sanitária e reduzir os impactos de eventos extremos sobre a população.

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Experiência do Amazonas será apresentada na COP31

Entre os dias 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia, o Brasil apresentará sua estratégia de preparação do SUS para os efeitos das mudanças climáticas.

A agenda brasileira terá três prioridades: cooperação internacional, financiamento climático para a saúde e fortalecimento dos modelos de resposta a emergências.

Outro destaque será o Plano de Ação em Saúde de Belém, lançado durante a COP30. A iniciativa reúne 60 ações para fortalecer os sistemas de saúde diante dos riscos climáticos e já recebeu o endosso de 40 países, além do apoio de mais de 50 organizações.

O governo brasileiro pretende ampliar a participação internacional e defender mecanismos de financiamento que permitam aos países em desenvolvimento preparar suas redes de atendimento para enfrentar secas, enchentes, ondas de calor, queimadas e outros eventos extremos.

A experiência de Manaus demonstra a importância de adaptar a logística de saúde às características territoriais da Amazônia. Em uma região onde comunidades podem ficar isoladas durante a estiagem e o transporte depende das condições dos rios, antecipar a necessidade de oxigênio, organizar rotas e integrar informações pode ser decisivo para manter a assistência.

A discussão levada à COP31 amplia, assim, o entendimento de que a crise climática também é uma questão de saúde pública. Além de reduzir as emissões, será necessário garantir recursos, infraestrutura e capacidade operacional para proteger as populações mais expostas aos efeitos das mudanças no clima.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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