Amazonas ocupa última posição em infraestrutura no Ranking de Competitividade dos Estados

Estado ficou em 27º lugar no pilar que avalia condições estruturais para o desenvolvimento; desempenho contrasta com posições mais favoráveis em inovação, sustentabilidade ambiental e gestão pública

Os desafios históricos de infraestrutura continuam entre os principais obstáculos à competitividade do Amazonas. Na edição de 2025 do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o estado apareceu na 27ª e última posição no pilar de Infraestrutura, entre as 26 unidades estaduais e o Distrito Federal.

O resultado chama atenção porque contrasta com o desempenho amazonense em outras áreas avaliadas pelo levantamento. No ranking geral de 2025, o Amazonas ficou na 17ª posição nacional, apresentando resultados melhores em pilares como Eficiência da Máquina Pública, Sustentabilidade Ambiental, Solidez Fiscal, Inovação e Segurança Pública.

O levantamento é utilizado para comparar a capacidade dos estados de oferecer condições para o desenvolvimento econômico e o bem-estar da população. A metodologia considera indicadores oficiais organizados em diferentes áreas da administração pública e da economia.

Infraestrutura permanece como ponto crítico

O desempenho no pilar não é um problema isolado de uma única edição.

Em 2023, o Amazonas também ocupava a 27ª posição nacional em infraestrutura. Em 2024, houve avanço de uma colocação, para o 26º lugar. Já na edição de 2025, o estado retornou à última posição.

A sequência mostra que infraestrutura permanece como uma fragilidade estrutural da competitividade amazonense.

A questão ganha características particulares no estado devido à dimensão territorial, à concentração populacional e econômica em Manaus e à dependência dos rios e do transporte aéreo para conectar grande parte dos municípios do interior.

Para a economia, deficiências estruturais podem aumentar custos de transporte e dificultar tanto a circulação de pessoas quanto o escoamento da produção.

Esse impacto é especialmente relevante para cadeias produtivas localizadas no interior. Produtos agrícolas, pescado, frutas, madeira manejada e produtos da sociobiodiversidade precisam percorrer grandes distâncias até alcançar centros consumidores ou unidades de beneficiamento.

Contraste com inovação

O desempenho amazonense muda significativamente quando outros pilares são observados.

Na edição de 2025, o estado ficou em 6º lugar em Eficiência da Máquina Pública, 8º em Sustentabilidade Ambiental, 8º em Solidez Fiscal, 9º em Inovação e 9º em Segurança Pública.

Na outra extremidade, além da última posição em infraestrutura, o Amazonas ficou em 24º lugar em Educação, 20º em Potencial de Mercado e 20º em Sustentabilidade Social.

O contraste entre inovação e infraestrutura é particularmente relevante para o modelo econômico amazonense.

O estado abriga o Polo Industrial de Manaus, universidades e instituições de pesquisa, além de um ecossistema crescente relacionado à tecnologia e à bioeconomia. A capacidade de transformar esse ambiente em desenvolvimento mais distribuído pelo território, entretanto, também depende das condições de transporte, comunicação, energia e logística.

Gargalo afeta produção do interior

Para o setor agropecuário e para a bioeconomia, infraestrutura não representa apenas uma questão de deslocamento.

O custo logístico interfere diretamente na competitividade de um produto.

Um alimento produzido em um município distante de Manaus, por exemplo, pode ter qualidade e mercado consumidor, mas perder competitividade quando transporte, armazenamento e conservação elevam excessivamente seu preço final.

O mesmo problema aparece na comercialização de produtos da sociobiodiversidade. Açaí, castanha, pescado, óleos vegetais, frutas e outros produtos amazônicos dependem de estruturas de beneficiamento, armazenagem, energia e transporte para ganhar escala e alcançar novos mercados.

Por isso, melhorar a infraestrutura pode ter impacto direto na capacidade de agregar valor à produção dentro do próprio Amazonas, evitando que o potencial econômico dos municípios fique limitado pela dificuldade de acesso aos mercados.

Ranking funciona como diagnóstico

O Ranking de Competitividade dos Estados avalia as 27 unidades da Federação a partir de indicadores distribuídos em dez pilares: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação. Na metodologia atualmente apresentada pelo CLP para 2026, são utilizados 100 indicadores.

Os dados são normalizados para permitir a comparação entre estados e têm como base as informações oficiais mais recentes disponíveis no momento da consolidação de cada edição.

O próprio CLP ressalta que o levantamento deve ser entendido como uma ferramenta de diagnóstico. Além de permitir que governos identifiquem áreas prioritárias, os resultados podem servir como referência para empresas na avaliação de ambientes para investimentos produtivos.

Para o Amazonas, a permanência nas últimas posições do pilar de infraestrutura evidencia um desafio que ultrapassa a construção de obras isoladas.

Em um estado com dimensões continentais e forte dependência da navegação, superar esse gargalo exige soluções compatíveis com a realidade amazônica e capazes de conectar produção, população e mercados.

O avanço nessa área pode ser determinante para que outros ativos nos quais o Amazonas apresenta desempenho mais favorável — como inovação e sustentabilidade ambiental, consigam se converter em oportunidades econômicas distribuídas também pelo interior.

Fonte: Centro de Liderança Pública (CLP)

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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