Sistema de informações para conservação e restauração ecológica em terras indígenas será apresentado durante a SOBRE

Ferramenta desenvolvida em parceria entre Funai, TNC Brasil, COIAB e UK PACT integra dados ambientais, territoriais e socioculturais para apoiar a gestão territorial em terras indígenas e subsidiar a tomada de decisão

Um sistema integrado de priorização de informações voltado à conservação e à restauração ecológica em terras indígenas foi desenvolvido pela Funai, em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) Brasil, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e o programa UK PACT (Partnering for Accelerated Climate Transitions). A iniciativa, que será lançada oficialmente durante o evento da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026), amplia um banco de dados anteriormente desenvolvido, reunindo diferentes informações sobre terras indígenas em uma única plataforma, disponível para uso interno inicialmente.
A ferramenta consolida informações sobre governança territorial, uso e ocupação do solo, biodiversidade, segurança hídrica, mudanças climáticas, sustentabilidade, educação e saúde, com base em critérios técnicos de qualidade e atualização, garantindo o protagonismo indígena durante o processo. Ou seja, a ideia é que uma área não será selecionada apenas por seu nível de degradação, mas também pelo potencial de sua recuperação para subsidiar a análise de aspectos relacionados aos modos de vida indígenas, segurança hídrica, biodiversidade e mudanças climáticas.
“O objetivo é transformar dados dispersos sobre os territórios degradados em informações estratégicas para subsidiar a tomada de decisão e apoiar o planejamento de ações de gestão territorial e ambiental”, afirma Guillermo Florez da TNC.
“A ferramenta reúne dados ambientais, territoriais e socioculturais em uma única plataforma para apoiar o planejamento territorial e ambiental em terras indígenas”, completa Nathali Germano da Funai.
Os critérios foram construídos em conjunto com lideranças indígenas, desde a definição dos indicadores até a seleção das fontes de informação, buscando atender em sua totalidade às necessidades locais. Foi desenvolvido um modelo baseado na metodologia AHP (Analytic Hierarchy Process), flexível e de fácil utilização, capaz de apoiar a organização das informações e subsidiar a tomada de decisões.
Foram definidas nove grandes categorias de análise para diagnosticar desafios e identificar os territórios que devem ser priorizados, facilitando o cruzamento de informações. A governança é considerada um fator estratégico para o sucesso da restauração, contemplando indicadores como a existência de Instrumentos de Gestão Ambiental e Territorial Indígena (IGATI). A biodiversidade é um dos pilares do sistema, relacionando vegetação, proteção ambiental e áreas vulneráveis. A restauração também é vista como uma oportunidade de geração de renda e desenvolvimento sustentável. O modo de vida dos povos indígenas foi incorporado como critério técnico, reconhecendo que a restauração fortalece a relação entre território, cultura e bem-estar das comunidades. A saúde pública integra o planejamento territorial ao evidenciar que a degradação ambiental afeta diretamente as populações indígenas. A água também figura como tema prioritário, considerando a segurança hídrica e as mudanças climáticas associadas à restauração da vegetação como mecanismos para aumentar a resiliência dos territórios indígenas.
A proposta está alinhada à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), reforçando a restauração ecológica como eixo central da proteção ambiental e da adaptação climática. A iniciativa foi desenvolvida em cooperação entre governo, organizações indígenas e parceiros internacionais. O sistema foi concebido considerando a participação de representantes indígenas em sua construção.

Post Author: Beatriz Costa

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduação em Publicidade, Propaganda e Mídias Sociais. Editora-chefe do Portal Agro Floresta Amazônia / Revista Agro Floresta Brasil

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