Muitas são as pessoas que cresceram na vida do campo antigamente e até os dias de hoje

 

Aqui no Rio Grande do Sul é muito comum as pessoas que moravam e ainda moram no campo, acordam muito cedo, escutam o gado mugindo, o galo e os pássaros cantando, o barulho do vento nas árvores, o silêncio do campo e a sua calma que nos deixa pensativos.

A noite se enxergam todas as estrelas que aparecem no céu, porque o céu fica imenso, diferentemente de quem mora na cidade grande, onde os prédios não nos deixam ver nem sequer a lua quando aparece. As casas geralmente bem antigas dos antepassados, onde muito iam para passar as férias de verão, tomavam banho no açude e no rio, pescavam com seus avós, alimentavam o gado e as galinhas, subiam nas árvores frutíferas e ali mesmo comiam frutas diretamente do pé, eram ameixas, laranjas, bergamotas, amoras e pêssegos, enfim uma vida bem saudável e respirando aquele ar puro que só quem viveu e vive sabe o seu grande valor.

Os campos a se perder de vista, o vento Minuano batendo no rosto e o horizonte logo ali aos nossos olhos. Muita simplicidade e histórias que foram e vão sendo construídas, tradições passadas a diante, para que nada fique esquecido nas fotos nas paredes ou guardadas em um álbum.

As casas bem antigas, que no silêncio da noite fazia rangidos diferentes e quando chovia, era aquela água batendo forte no teto da casa e no inverno tinha que se abrigar muito do frio, porque era congelante, pois os campos amanheciam branquinhos e até hoje a geada deixa a paisagem diferente na vida do campo.

O gado também deve sentir muito frio, as ovelhas ainda são abrigadas com a lã, e o açude, por vezes, amanhece já congelado por causa do frio.

Na cozinha, o fogão a lenha está sempre abastecido, água para o chimarrão sempre pronta, o pinhão na chapa cozinhando, aquele pão caseiro saindo quentinho do forno, tudo que pode aquecer o corpo na estação do inverno.

Essa vida do campo nos faz esquecer dos bens materiais, a família trabalha junto, uns vão para o campo e outros ficam com a lida na volta das casas, uma vida mais humilde, mas encantadora de se viver. Damos valor as coisas simples dessa vida, como contemplar a natureza, conviver com os animais, a família fica mais unida, o chimarrão de manhã cedo e à tardinha aproxima mais as pessoas e a conversa vai fluindo normalmente. Também tem aquele mate que se toma sozinho de manhã cedo, que faz a gente colocar os pensamentos em ordem e planejar o resto do dia.

Essas lembranças passam por gerações e continuam dentro de cada um, o vasto campo e a imensidão do horizonte sem fim, onde as árvores balançam suas folhas no outono e caem pelo chão no inverno e voam sem destino pelos campos sem fim.

Um lugar tranquilo a vivência no campo, momentos que são ímpares em nossas vidas, que ficam guardados com carinho no coração. Recordar é viver os bons momentos que passaram pela nossa existência.

 

Escritora

Márcia Ximenes Nunes

Post Author: Márcia Ximenes Nunes

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