União Europeia deve anunciar investimentos em mineradoras com projetos em MG, Piauí e Bahia

O Brasil pode receber um aporte de investimentos da União Europeia (UE) em ao menos cinco mineradoras com projetos estratégicos nas regiões Sudeste e Nordeste do país, com anúncio oficial previsto para março de 2026. A expectativa foi confirmada por autoridades brasileiras e europeias envolvidas nas negociações.

A iniciativa, que está sendo articulada pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) em parceria com a Comissão Europeia, faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecer a cadeia global de minerais críticos para tecnologia e transição energética, como terras raras, grafite, lítio, níquel e manganês.

Durante as tratativas, que começaram em 2025 em eventos internacionais como a Raw Materials Week, na Bélgica, a ApexBrasil apresentou um portfólio com cerca de 14 projetos que somam aproximadamente R$ 7 bilhões em demandas de capital. Desses, cinco foram priorizados para receber apoio europeu.

Distribuição regional dos projetos

Segundo a diretora de negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, os empreendimentos selecionados estão distribuídos em três estados do Sudeste, com foco em Minas Gerais, e em dois estados do Nordeste, incluindo Bahia e Piauí.

Em Minas Gerais, os projetos priorizados incluem iniciativas voltadas especialmente à exploração de terras raras e nióbio. Entre eles, um dos destaques é o da mineradora australiana Viridis Mining & Minerals, que desenvolve um projeto de terras raras no sul do estado, já com apoio financeiro de agências internacionais de crédito à exportação e com potencial de entrar em operação nos próximos anos.

Na Bahia, há forte interesse de investidores em iniciativas relacionadas à produção de grafite e outros minerais. Já no Piauí, os projetos estão alinhados à expansão da mineração de minerais essenciais para a indústria de tecnologia e energia limpa.

Expectativa de execução e impacto

A previsão é que as empresas beneficiadas iniciem produção e exportação para o mercado europeu em um prazo de dois a três anos, o que poderia impulsionar a inserção do Brasil na cadeia global de minerais estratégicos. Para viabilizar os aportes, estão sendo estruturados mecanismos de financiamento e garantias com participação do BNDES e de agências internacionais de crédito.

Autoridades brasileiras também destacam que o recente acordo entre o Mercosul e a União Europeia, ainda em análise pelas instâncias jurídicas europeias, pode ampliar o fluxo de investimentos estrangeiros no setor mineral ao eliminar tarifas sobre alguns produtos minerais exportados pelo bloco sul-americano.

Post Author: Beatriz Costa

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