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União Europeia aceita protocolos do Brasil e abre caminho para retomada das exportações de frango

Aval europeu às medidas brasileiras de controle de antimicrobianos representa avanço para a reabertura do mercado, que comprou 230 mil toneladas de carne de frango do Brasil em 2025

A União Europeia aceitou os protocolos apresentados pelo Brasil para atender às novas exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A decisão abriu caminho para a retomada das exportações brasileiras de carne de frango ao bloco europeu, embora os embarques ainda dependam da conclusão das etapas formais de reabilitação do país.

O avanço foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta semana. Segundo o secretário-executivo da pasta, Cleber Soares, o governo brasileiro recebeu uma comunicação oficial da União Europeia informando que houve acordo sobre os protocolos considerados essenciais para o retorno das exportações.

A expectativa do governo é que a reabilitação ocorra em menos de dois meses. Até este domingo (20), entretanto, não havia uma data oficial para a retomada efetiva dos embarques. O Brasil ainda aguarda detalhes do protocolo europeu para avançar nas etapas necessárias à normalização do comércio.

O entendimento representa uma mudança importante no cenário enfrentado pelo setor nas últimas semanas. Desde 3 de setembro, a União Europeia mantém restrições à entrada de produtos brasileiros de origem animal devido às exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos. O bloqueio atingiu produtos como carne bovina, carne de frango e mel.

Auditoria avaliou produção brasileira

Antes da sinalização positiva, autoridades sanitárias europeias realizaram uma auditoria no Brasil para avaliar os procedimentos adotados nas cadeias produtivas de aves e mel.

A inspeção foi concluída no início de setembro e analisou, entre outros aspectos, os mecanismos brasileiros destinados a assegurar que os produtos enviados ao mercado europeu cumpram as regras do bloco sobre antimicrobianos.

Segundo autoridades brasileiras, os auditores consideraram satisfatório o processo de segregação da produção destinada à União Europeia e os controles relacionados ao não uso de substâncias proibidas pelas normas europeias.

O Brasil também adotou medidas adicionais para adequar a produção às exigências internacionais. Entre elas estão restrições ao uso de determinados antimicrobianos e o reforço de procedimentos de rastreabilidade e controle ao longo da cadeia produtiva.

A preocupação europeia está relacionada à resistência antimicrobiana, fenômeno associado ao uso inadequado ou excessivo de medicamentos como antibióticos. As regras do bloco estabelecem requisitos específicos para produtos de origem animal importados de países terceiros.

Mercado europeu movimentou US$ 763 milhões em 2025

A reabertura é relevante para a avicultura brasileira. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 230 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, movimentando aproximadamente US$ 763 milhões.

O valor correspondeu a 7,7% da receita brasileira obtida com as exportações do produto naquele ano.

Embora outros mercados tenham participação maior em volume, a União Europeia tem importância estratégica para o setor por adquirir produtos de maior valor agregado e manter exigências sanitárias que funcionam como referência para o comércio internacional.

A aceitação dos protocolos reduz uma das principais incertezas que surgiram após a imposição das restrições europeias no início de setembro. O próximo passo será a conclusão dos procedimentos administrativos necessários para que os estabelecimentos brasileiros voltem a realizar os embarques.

Carne bovina enfrenta processo mais demorado

A sinalização positiva para o frango não significa que todos os produtos brasileiros atingidos pelas restrições retornarão simultaneamente ao mercado europeu.

A situação da carne bovina é mais complexa. A União Europeia exige garantias de que os animais destinados ao bloco não tenham recebido determinadas substâncias durante todo o ciclo de vida. Como a criação de bovinos normalmente ultrapassa 18 meses, a comprovação demanda um período maior de adequação e rastreabilidade.

O governo brasileiro apresentou garantias e protocolos específicos para o setor, mas ainda aguarda novas etapas de avaliação. Autoridades europeias sinalizaram a realização de uma inspeção presencial na cadeia bovina, sem data definida até o momento.

Para a avicultura, porém, o cenário é mais avançado. Com a aceitação dos protocolos brasileiros, governo e setor produtivo aguardam agora a formalização das etapas restantes para que a carne de frango brasileira volte efetivamente ao mercado dos 27 países da União Europeia.

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