Por Antônio Ximenes, Diretor de redação e correspondente na COP30 em Belém-PA
Na tarde desta sexta-feira (7), durante a Cúpula dos Líderes da COP30, realizada em Belém, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a inovação e a profundidade das discussões conduzidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, o formato adotado pelo Brasil rompeu com a tradição dos encontros multilaterais de chefes de Estado, transformando a cúpula em um espaço de debate real sobre os principais temas ambientais globais.
“Geralmente as cúpulas são momentos em que cada chefe de Estado faz o seu discurso. Mas o presidente Lula quis transformar esse encontro em um momento de debate, sobre temas importantes como oceano e natureza, florestas, clima e adaptação”, explicou Marina.

Entre os assuntos centrais discutidos estão a proteção dos oceanos e das florestas tropicais, a adaptação às mudanças climáticas e o financiamento climático, com destaque para a criação do Tropical Forests Forever Fund (TFFF), um mecanismo global de financiamento para conservação de florestas tropicais em mais de 70 países.
De acordo com a ministra, o TFFF representa uma arquitetura financeira inédita, que busca integrar recursos públicos e privados para proteger as florestas e recompensar países que mantêm suas áreas preservadas.

“Nosso objetivo é alavancar investimentos: para cada dólar de recurso público aportado, queremos mobilizar quatro dólares de recursos privados”, afirmou.
O fundo, que será operado pelo Banco Mundial, já nasce com cerca de US$ 6 bilhões confirmados em aportes iniciais. Marina Silva revelou ainda que a Alemanha deve anunciar sua contribuição oficial nos próximos dias. O modelo propõe que os investimentos não sejam tratados como doações, mas como aportes reembolsáveis, cujo retorno financeiro se dará por meio dos rendimentos das operações, parte dos quais será destinada a países com florestas conservadas.
“Esses recursos não são doações, são investimentos. O dinheiro será retornado aos países investidores, enquanto o rendimento (o spread bancário) servirá para pagar quem protege a floresta”, detalhou a ministra.
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O TFFF tem meta de alcançar US$ 125 bilhões ao longo de sua implementação, com expectativa de gerar rendimentos anuais de até US$ 4 bilhões para financiar ações de conservação. Em alguns países, esses valores podem triplicar o investimento atual em proteção florestal.
Marina Silva também destacou que o fundo é o primeiro no mundo voltado a beneficiar os países que não desmataram, e não apenas aqueles que precisam interromper o desmatamento. O mecanismo contará com monitoramento via satélite para garantir transparência e comprovar resultados.
“É um fundo inovador porque antes a maioria dos recursos era destinada a parar de desmatar. Agora, pela primeira vez, temos um fundo para beneficiar quem já preserva”, enfatizou.

Por fim, a ministra reforçou que a COP30 marca uma nova etapa na governança climática global, com o Brasil assumindo papel de liderança no diálogo internacional sobre justiça climática, transição energética e proteção da biodiversidade.
“O presidente Lula tem enviado mensagens fortemente comprometidas com a justiça climática, a adaptação e o olhar para os mais vulneráveis. A COP30 é um marco, porque mostra que é possível fazer diferente, e com resultados concretos”, concluiu Marina Silva.


