Um idoso na pracinha

Um senhor idoso, com a idade entre uns 80 a 88 anos, fica sentado no banco da pracinha do parque. Quando ele chega a pracinha está vazia, em dias de vento os balanços se embalam sozinhos, as folhas do ipê amarelo caem pelo chão da praça e ele lá sentado, olhando, pensando, quem sabe até relembrando de alguma coisa.
Fico imaginando no que ele está pensando, se é no que ele fez no
seu passado ou relembrando um dia bom que teve na sua vida. Deve ter tido uma infância com campos, jardins floridos com rosas e margaridas, muitas árvores para ele subir e apanhar as frutas da estação, pracinhas, crianças brincando junto com ele. Brinquedos como caminhão de madeira, bola de meia, bolas de gude, pipa, três Marias, gadinho de osso, peteca, pião, brinquedos de antigamente, brincadeiras como: passar o anel, caça e caçador, cantigas de roda. Ele deve ficar lembrando da sua infância distante e ao mesmo tempo tão próxima da mente dele.
Este senhor idoso deve ficar lembrando, do seu único amor, quem sabe de muitas paixões ou de algum amor platônico, na qual ele nunca pode tocar, muito menos falar. Deve lembrar de Caminho todas as tardes num parque da minha cidade, sempre as mesmas pessoas por lá, mas uma em especial, me chama muito a atenção.
seus dias de trabalhador, de sua esposa, talvez de seus filhos ou quem sabe não teve filhos e apenas sobrinhos, lembra que de repente, não esteve presente nas brincadeiras dos filhos e pra compensar foi muito atuante nas brincadeiras com seus netos.
A hora vai passando e aquela pracinha vazia começa a ficar cheia de crianças, meninos e meninas de todas as idades, mães e babás sentadas nos bancos da pracinha.

Eu acabo a minha caminhada e ele segue ali sentadinho, com seu chapéu protegendo a cabeça do sol, as crianças por ali brincando, gritando e ele solitário só observando o movimento das pessoas, das crianças, dos pássaros e do movimento dos carros. Amanhã espero que ele esteja lá de novo, no mesmo lugar, com todas as suas lembranças e pensamentos, mas que já fazem parte da rotina do parque e das pessoas que cruzam todos os dias por ali.

 

Escritora

Márcia Ximenes Nunes

Post Author: Márcia Ximenes Nunes

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