Socialista e candidato da direita radical avançam ao 2º turno da eleição presidencial em Portugal

LISBOA, PORTUGAL — A eleição presidencial realizada neste domingo (18 de janeiro de 2026) em Portugal terminou sem um candidato alcançar a maioria absoluta dos votos, levando a disputa para um segundo turno marcado para 08 de fevereiro de 2026.

O socialista António José Seguro, ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), foi o mais votado no primeiro turno, recebendo cerca de 31,12% dos votos, enquanto André Ventura, líder do partido Chega (identificado com a direita radical) ficou em segundo lugar com aproximadamente 24% das preferências.

Resultados do primeiro turno e cenário político

Nenhum dos 11 candidatos conseguiu ultrapassar os 50% necessários para vencer em primeiro turno, o que não ocorria em Portugal há mais de quatro décadas. O avanço de Ventura ao segundo turno representa uma ampliação do apoio ao discurso de direita radical e anti-imigração, tema que dominou parte da campanha.

Logo após a confirmação dos resultados, Seguro fez um discurso afirmando que sua liderança no primeiro turno era uma vitória da democracia e conclamou eleitores de diferentes segmentos a unirem-se ao seu projeto para derrotar o extremismo no segundo turno. Ventura, por sua vez, afirmou que os resultados mostravam que a direita havia “acordado” e que a campanha da próxima etapa da eleição seria uma batalha decisiva.

Outros candidatos e reflexão do eleitorado

Além dos dois finalistas, João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) ficou em terceiro lugar com cerca de 16% dos votos, seguido pelo almirante Henrique Gouveia e Melo, candidato independente conhecido por coordenar a campanha de vacinação contra a Covid-19, com pouco mais de 12%. O ex-candidato apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD), Luís Marques Mendes, também teve desempenho relevante com cerca de 11%.

O resultado do primeiro turno reflete uma paisagem política fragmentada e polarizada, com grande dispersão de votos entre várias opções e uma forte presença de pautas que mesclam preocupações econômicas e temas identitários, como imigração e segurança.

Próxima fase: o 2º turno

Com o segundo turno marcado para 8 de fevereiro de 2026, ambos os candidatos intensificarão suas campanhas buscando abrir vantagem. Enquanto Seguro tenta consolidar o apoio de eleitores de centro-esquerda e moderados, Ventura quer ampliar sua base à direita e atrair eleitores insatisfeitos com o status quo político.

A presidência em Portugal, embora em grande parte cerimonial, tem poderes institucionais importantes, como vetar leis, dissolver o Parlamento em situações de crise e representar o país internacionalmente, funções que conferem peso político à escolha presidencial, especialmente em um contexto de fragmentação partidária.

Post Author: Beatriz Costa

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