Série VI – “ Ser Tradicionalista” – Uma bela gaúcha que cursa Medicina Veterinária, participa de rodeios no tiro de laço e paleteada , e faz suas lidas campeiras desde menina

 

Aqui no Rio Grande do Sul é assim temos gurias fazendo suas lidas campeiras, participando de rodeios nas provas artísticas e também nas provas campeiras como a gineteada, paleteada, tiro de laço entre outras modalidades.

O tradicionalismo no RS é marcado pela força das mulheres que sempre buscaram e lutaram pelos seus ideais, desde os tempos das guerras onde lutavam junto com os farrapos, pegando em armas e lanças, e as mulheres que não iam para a guerra ficavam sozinhas aprendendo a cuidar de suas estâncias, gado, filhos, plantações e charqueadas, aprenderam a fazer tudo na marra, na garra e na honra de se uma mulher gaúcha.

A nossa tradição é muito grande e temos orgulho de passar adiante nossos usos e costumes, e os legados que conquistamos. Hoje vamos conhecer  a história de Vitória Rocha do Alegrete-RS, que é acadêmica de Medicina Veterinádia na URI (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões) na cidade de Santiago. Vitória atua nas lidas campeiras desde pequena e participa de rodeios disputando tiro de laço e paleteada.

 

Quando começou a gostar das lidas campeiras?

…”A lida campeira sempre esteve presente na minha vida, desde criança, quando eu tinha uns 4 anos de idade já saía a camperear com meu avô e com 6 anos curei a minha primeira vaca.”…

Por que escolheu  o curso de Medicina Veterinária?                                            

…”Sempre tive em mente que eu seria veterinária, acho que nunca me imaginei fazendo outro curso.”…

 

Como são as tuas aulas na faculdade?

…Minhas aulas são pela parte da noite, e de dia, geralmente eu saio com os veterinários onde eu faço estágio e em semana de provas eu estudo.”…

Quando começou a participar de rodeios ?

…”Comecei a laçar em 2015 e a paletear em 2019.”…

 

Como é para a mulher estar num curso como o de Veterinária, onde a maioria dos alunos são homens?

…”Hoje eu posso observar que a minha sala de aula é bem dividida e que a maioria das minhas colegas querem trabalhar com grandes animais, acho que a mulher vem ganhando um espaço bem interessante na profissão.

Porém, acho que em relação aos grandes animais, ainda existe um pouco de machismo envolvido, pois, querem sempre te dar o serviço mais leve com a desculpa de que mulher tem menos força ou que pode se machucar…eu sempre acabo me ‘enfiando’ nos serviços mais pesados porque sei que se eu não meter a cara e mostrar que eu sou capaz ninguém vai me dar abertura para isso.”…

 

Você compete em rodeios com mulheres ou homens? Existe algum tipo de resistência da parte masculina?

…”Tanto no laço como na paleteada já concorri com homens e mulheres, e nos rodeios hoje em dia é muito comum a participação de mulheres, e muito bem aceita. Eu particularmente nunca senti resistência da parte dos homens, mas sei que ela existe e várias meninas já passaram por situações bem desmotivadoras.”…

Na prática da lida campeira numa estância, como é a tua rotina?                              

…”Eu sempre procuro me adequar a rotina dos peões, acordar cedo, pegar o cavalo, recorrer uma invernada, curar os animais doentes…fazer o programado da semana e o que aparecer  também, como remendar uma cerca, repor o saleiro, trabalhar no trator…acho que a gente precisa saber fazer tudo.”…

Como são teus treinos de tiro de laço?                

…”Agora eu não treino, antes quando eu comecei, treinava bastante, chegava a atirar 50 armadas no gado e 200 na vaca parada, mas agora quase não vou a rodeios, então acabo nem treinando, até porque com a pandemia os rodeios tiveram que parar, acho que depois que a gente aprende não esquece mais.”…

 

Deixe uma mensagem para as meninas que querem participar de rodeios?

…”Acho que respeitar o teu tempo, aprender aos poucos uma coisa de cada vez e saber que é um processo lento, eu demorei uns 2 anos para ganhar meu primeiro rodeio e ganhar experiência para deixar o nervosismo de lado, além de aprender a lidar com os julgamentos que vem de todos os lados e, às vezes, te desmotivam muito, mas acho que desistir nunca é uma opção.”…

 

Escritora

Márcia Ximenes Nunes Chaiben

Post Author: Márcia Ximenes Nunes

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