A agricultura está diariamente na mesa de todos os brasileiros
A agricultura vem a ser o conjunto de técnicas utilizadas para cultivar plantas com o objetivo de obtermos alimentos, bebidas, fibras, energias, matéria-prima para roupas, construções, medicamentos, ferramentas ou apenas para paisagismo.
A agricultura é responsável pelo alimento do nosso dia a dia, desde o amanhecer até o anoitecer. Sempre presente em nossas casas, os legumes, verduras, frutas, temperos, pães caseiros, mel, doces, biscoitos, queijos, salames, tudo que é produzido nas propriedades rurais espalhadas pelo nosso país.
Hoje vamos entrevistar uma mulher de fibra e guerreira, que foi colocar as mãos na terra para sustentar seus dois filhos.
ANE LORE SCHWEICKARDT, agricultora de Santa Cruz do Sul – RS
“…Trabalhei até 2014 na zona urbana, porém morava e sempre gostei da roça. Há uns 15 anos ou mais, eu sentia necessidade de fazer algo diferente, mas precisava de um salário fixo, pois tinha dois filhos para sustentar.
Trabalhava em um escritório de contabilidade da minha irmã. Eu olhava pela janela e me angustiava, presa entre 4 paredes e sempre pensando que eu poderia estar livre fazendo o que sempre gostei. O que pesou mesmo, era a necessidade de fazer algo diferente e o estresse da contabilidade, pois tinha que estar sempre me atualizado.
Fui procurar o CAPA, associação que trabalha com produtores orgânicos, comecei a participar de grupos de formação. Me senti dentro daqueles projetos todos, foi aumentando dentro de mim a certeza e a necessidade de mudanças na minha vida. Começamos vendendo só agrião d’água, produzindo onde tinha uma pedreira de extração manual (artesanal) de pedras para alicerce de construção de lajes. Na época, funcionava a operação de extração, depois meu pai faleceu e aos poucos a extração foi diminuindo, ficando o local parado. Só continuamos com o agrião e algumas caixas de abelhas.
Em 2.014 sai do escritório, ficando definitivamente na produção. Meu companheiro já fazia feira na época, com poucos produtos como: agrião, temperos, flores, repolho, beterraba, cenoura e outras coisas.
Fazíamos a feira na calçada a céu aberto. Montávamos gazebos, que muitas vezes o vento levava, temporal, frio, sol e muito calor passávamos. Mas, faça chuva ou faça sol não desistíamos, até porque é assim mesmo para quem vive de agricultura.
Tínhamos um grupo chamado NAESC, núcleo de agricultores e ecologistas de Santa Cruz do Sul. Éramos em torno de 6 a 7 famílias, fazíamos reuniões mensais, cada mês a reunião acontecia em uma propriedade diferente do nosso grupo. Discutíamos assuntos pertinentes na produção da feira, sobre ética e realizávamos visitas nas hortas. Neste modelo alguns acabavam desistindo, outros entravam e outros perseveraram até hoje.
A partir de dezembro de 2.019, conseguimos uma estrutura definitiva, construída pela prefeitura municipal de Santa Cruz do Sul. Isso tudo após uns 10 anos de feira ao ar livre e com muita luta para conseguirmos este espaço definitivo. Estamos muito bem instalados e protegidos de qualquer tempo ruim. Fizemos nossa feira nas terças e sábados pela manhã.
Eu e meu parceiro, temos uma parceria com outra família da feira, eles moram na cidade vizinha de Rio Pardo, mas nada nos impede de trocarmos experiências e conhecimentos. Fizemos entregas a domicílio, beneficiando todos da feira. Nossos clientes procuram produtos orgânicos e ao mesmo tempo comodidade.
Com a pandemia tivemos um aumento significativo nas entregas a domicílio, onde buscamos incrementar as vendas criando grupos, planilhas com produtos e preços, sempre atualizados e proporcionando o uso de máquina de cartão, pix e etc.
Essa nossa parceria consiste em ajuda mútua, tanto em manejo de produção, vendas, busca de novos mercados. Primamos pela qualidade e variedade conseguindo assim entrar em restaurantes, casas geriátricas e indústrias de refeições.
É muito bom trabalhar com a terra e as plantas, uma energia maravilhosa que entregamos diretamente para nossos clientes…”
Escritora

