Seis escolas de samba abrem, neste domingo (11), o Grupo Especial do Rio de Janeiro. A partir das 22h, yanomamis, onças e ciganos serão algumas das estrelas a pisar na Marquês de Sapucaí.
Na 1ª noite, saem Unidos do Porto da Pedra, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos da Tijuca e a atual campeã, Imperatriz Leopoldinense. Cada escola terá entre 1 hora e 1 hora e 10 minutos para desfilar.
Desfiles do Grupo Especial de 2024
| Horário | Domingo, 11 | Segunda, 12 |
| 22h | Porto da Pedra | Mocidade |
| Entre 23h e 23h10 | Beija-Flor | Portela |
| Entre 0h e 0h20 | Salgueiro | Vila Isabel |
| Entre 1h e 1h30 | Grande Rio | Mangueira |
| Entre 2h e 2h40 | Unidos da Tijuca | Tuiuti |
| Entre 3h e 3h50 | Imperatriz | Viradouro |
Confira detalhes do enredo de cada escola e veja o que esperar de cada desfile!
Porto da Pedra, 22h
Lunário Perpétuo: a profética do saber popular
Que enredo é esse?
De volta ao Grupo Especial, o Tigre de São Gonçalo vai explorar o elo entre o místico e o terreno ao retratar o Lunário Perpétuo, livro trazido ao Brasil com a colonização portuguesa.
De origem espanhola, o Lunário é famoso por seus conselhos e previsões que influenciaram a cultura nordestina.
O desfile da Porto reconta a memória e legado do povo indígena e africano, exaltando a importância do saber popular nordestino.
A lenda diz que os ensinamentos do livro foram ditados pelas estrelas para guiar os homens na terra, retratando a conexão com o divino através da natureza para buscar bênçãos e cura em tempos de seca e doenças.
O livro mostra a diversidade cultural, misturando misticismo, filosofia e arte popular.
Entre as influências do Lunário estão os almanaques de cordel de Manoel Caboclo e o Movimento Armorial de Ariano Suassuna.
A obra também relaciona o Lunário com o carnaval, enfatizando a missão de perpetuar o conhecimento, a cura e a arte popular.
Carnavalesco: Mauro Quintaes.
Quem vem?
Antônio Nóbrega, Giovana Cordeiro, Erika Schneider, Tati Minerato (rainha) e Valesca Popozuda.
Como virá a escola?
Estrutura: 3 mil componentes em 32 alas, 6 carros, 1 tripé e 1 elemento cenográfico. 1º casal: Rodrigo França e Denadir Garcia. Bateria: Mestre Pablo.
Qual é o samba?
Compositores: Guga Martins, Passos Júnior, Gustavo Clarão, Lucas Macedo, Leandro Gaúcho, Clairton Fonseca, Richard Valença, Gigi da Estiva, Abílio Jr., Marquinho Paloma, Cristiano Teles e Alison Picanço.
Intérprete: Wantuir
Olhe pro céu onde a Lua vagueia, ô
As estrelas brilham no chão
Sabedoria é a luz que clareia
Porto da Pedra do meu coração
Sou seu Lunário, conselheiro imortal
Já folheando cada ponto cardeal
Alquimia de almanaque (sou eu, sou eu)
Cada toque do atabaque (sou eu, sou eu)
Quem acendeu as lamparinas desse céu?
Quem acendeu as lamparinas desse céu?
No Brasil, os retirantes são os astros de cordel
O sertão profetizou, cada flor do Cariri
A ciência desse povo, eu não guardo só pra mim
Separei as folhas secas misturadas no pilão
Confiei à rezadeira uma nova oração
Só porque eu escolhi (navegar por esse mar)
A viola perguntou (para o santo do lugar)
Responda, meu sinhô, será que é amor?
Meu povo vai passar
Tanta gente esperou por esse dia
O pincel, a cantoria, nunca foi ponto final
E lá do auto, como a vida é um repente
O estandarte vai na frente, muito mais que carnaval
Vem, Antônio, vem, menino
Seu destino é cirandar
Um brincante nordestino
A missão: Perpetuar!
Quarto minguante, a moringa quase seca
Maré virou, virou luar
Tem alambique pra beber na quarta-feira
Faltava o Tigre pro Lunário completar
Beija-Flor, entre 23h e 23h10
Um delírio de carnaval na Maceió de Rás Gonguila
Que enredo é esse?
Através da história de Benedito dos Santos, que nasceu em Maceió em 1905, a Deusa da Passarela celebra o encontro entre a realeza das Alagoas, da Etiópia e do carnaval.
Em destaque, a cultura popular alagoana com folguedos e tradições como marujos, coco de roda, bumba meu boi, caboclinhos, pastoril, folia de reis e guerreiros.
Benedito era filho de pais libertos da escravidão; sua família vendia frutas e trabalhava para os ricos. Ele ouvia histórias de seus antepassados reis africanos e da resistência em Palmares. Acabou líder do bloco Cavaleiro dos Montes, em Maceió.
Assumiu parentesco com o imperador etíope Haile Selassie, tornando-se Rás Gonguila. E assim, junto à cultura popular, Benedito é coroado rei do carnaval de Maceió.
Carnavalesco: João Vitor Araújo
Quem vem?
Giovanna Lancelotti, Aieny Mendes, Lorena Raissa (rainha), Benedito dos Santos (filho de Rás Gonguila), Pinah, Raíssa Oliveira, Sonia Capeta, Brunna Gonçalves, Cafu e Cacá Diegues.
Como virá a escola?
Estrutura: 3,3 mil componentes em 23 alas, 6 alegorias. 1º casal: Claudinho e Selminha Sorriso. Bateria: Mestre Rodney e Mestre Plínio.
Qual é o samba?
Compositores: Kirazinho, Lucas Gringo, Wilsinho Paz, Venir Vieira, Marquinhos Beija-Flor e Dr. Rogério.
Intérprete: Neguinho da Beija-Flor.
Em Maceió
O paraíso deu à luz a um menino
À beira-mar nasci um rei
E o senhor das ruas deu o meu caminho
Eu acreditei
Herdeiro da dinastia e das lutas de Zumbi
De Palmares às palmeiras e marés
Da cultura e bravura dos tupis e caetés
De nobre engraxate ao novo horizonte
Real cavaleiro dos montes
Tem mironga, festa da ralé
Malandragem, frevo, arrasta-pé
A magia que avoa, o rosário no andor
A cantiga que ecoa no axé do meu tambor
Gira, mundo, feito pião que Gonguila do jeito
Que me eterniza o bendito dos plebeus
Quando encontro a corte africana
A nobreza alagoana realiza os sonhos meus
Voa, Beija-Flor
A soberania popular me traz
Num batuque de Rás
Um coco, um pouco de samba de roda
E o povo anuncia: É ela
Delira, tem Pajuçara no mar da Mirandela
Aqui é Beija-Flor, doa a quem doer
Do gênio sonhador, da gana de vencer
Tá no meu peito, tá no meu grito
Escola de respeito que coroa Benedito
Salgueiro, entre 0h e 0h20
Hutukara
Que enredo é esse?
O desfile do Salgueiro é inspirado no livro “A queda do céu – palavras de um xamã yanomami”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert.
“Flecha para tocar o coração da sociedade não indígena”: assim o Salgueiro propõe a defesa da terra e dos povos indígenas, seguindo a sabedoria dos yanomami. Para eles, a terra-ceú, chamada Hutukara, é fundamental para a vida de todos os seres humanos, junto com os rios e a floresta.
Davi Kopenawa, a principal liderança yanomami, nos convida em seu livro a nos apaixonarmos por eles, pela maneira única como veem e criam mundos.
Ele acredita que o respeito pelo seu povo nascerá apenas através da admiração, não da pena. Ou seja, é preciso reconhecer a essência e a humanidade yanomami.
A forma particular de suas pinturas corporais, o formato do cocar e até a musicalização de expressões da língua yanomami estão representadas.
Carnavalesco: Edson Pereira.
Quem vem?
MC Rebecca, Tati Barbieri, Viviane Araújo (rainha), Rafaella Santos, Bianca Salgueiro, Cacau Protásio e Davi Kopenawa
Como virá a escola?
Estrutura: 3 mil componentes em 26 alas, 6 carros e 1 tripé. 1º casal: Sidclei Santos e Marcella Alves. Bateria: Mestre Guilherme e Mestre Gustavo.
Qual é o samba?
Compositores: Pedrinho da Flor, Marcelo Motta, Arlindinho Cruz, Renato Galante, Dudu Nobre, Leonardo Gallo, Ramon Via 13 e Ralfe Ribeiro.
Intérprete: Emerson Dias.
É Hutukara, o chão de Omama
O breu e a chama, deus da criação
Xamã no transe de Yãkoana
Evoca Xapiri, a missão
Hutukara ê, sonho e insônia
Grita a Amazônia antes que desabe
Caço de tacape, danço o ritual
Tenho o sangue que semeia a nação original
Eu aprendi o português, a língua do opressor
Pra te provar que meu penar também é sua dor
Falar de amor enquanto a mata chora
É luta sem flecha, da boca pra fora
Tirania na bateia, militando por quinhão
E teu povo na plateia vendo a própria extinção
Yoasi que se julga família de bem
Ouça agora a verdade que não lhe convém
Você diz lembrar do povo Yanomami
Em 19 de abril
Mas nem sabe o meu nome e sorriu da minha fome
Quando o medo me partiu
Você quer me ouvir cantar em Yanomami
Pra postar no seu perfil
Entre aspas e negrito, o meu choro, o meu grito
Nem a pau, Brasil
Antes da sua bandeira, meu vermelho deu o tom
Somos parte de quem parte, feito Bruno e Dom
Kopenawas pela terra, nessa guerra sem um cesso
Não queremos sua ordem, nem o seu progresso
Napê, nossa luta é sobreviver
Napê, não vamos nos render
Ya temí xoa, aê-êa
Ya temí xoa, aê-êa
Meu Salgueiro é a flecha pelo povo da floresta
Pois a chance que nos resta é um Brasil cocar
Grande Rio, entre 1h e 1h30
Nosso destino é ser onça
Que enredo é esse?
A Grande Rio se baseou no mito tupinambá descrito no livro “Meu destino é ser onça”, de Alberto Mussa. É um mosaico de histórias de nações indígenas brasileiras que conta sobre a formação do povo brasileiro.
A onça é um símbolo dessas narrativas míticas. Ela representa as disputas pela identidade. Mais que o animal, é a ideia de “devoração” e “garra” que representa as lutas e a cultura do povo brasileiro, incluindo o carnaval.
Carnavalescos: Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
Quem vem?
Mileide Mihaile, Xamã, Luciene Santinha, Paolla Oliveira (rainha), Adriana Bombom, Renata Frisson, Demerson D’álvaro, David Brazil, Regina Casé e Deolane Bezerra.
Como virá a escola?
Estrutura: 3,2 mil componentes em 25 alas, 5 carros e 3 tripés. 1º casal: Daniel Werneck e Taciana Couto. Bateria: Mestre Fafá.
Qual é o samba?
Compositores: Dere, Marcelinho Júnior, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Tony Vietnã e Eduardo Queiroz.
Intérprete: Evandro Malandro.
Trovejou, escureceu
O velho onça, senhor da criação
É homem-fera, é brilho celeste
Devora e se veste de constelação
Tudo acaba em fogaréu
E depois transborda em mar
A terceira humanidade Coaraci vem clarear
Ê, Sumé, nas garras da sua ira
Enfrentou Maíra, tanto perseguiu
Seus herdeiros vivem essa guerra
Povoando a Terra
A voz tupinambá rugiu
É preta, parda, é pintada, feita a mão
Suçuarana no sertão que vem e vai
Maracajá, jaguatirica ou jaguar
(É jaguarana), onça grande, mãe e pai
Yawalapiti, pankararu, apinajé
O ritual araweté, a flecha de kamaiurá
No tempo que pinta a pedra
Pajelança encantada
Onça-loba coroada na memória popular
Kiô, kiô, kiô, kiô, kiera
É cabocla, é mão-torta
Pé-de-boi que o chão recorta, travestida de pantera
Kiô, kiô, kiô, kiô, kiera
A folia em reverência
Onde a arte é resistência, sou Caxias, bicho-fera
Werám werá auê, naurú werá auê
A aldeia Grande Rio ganha a rua
No meu destino, a eternidade
Traz no manto a liberdade
Enquanto a onça não comer a Lua
Unidos da Tijuca, entre 2h e 2h40
O conto de fados
Que enredo é esse?
O Pavão falará sobre mitos e histórias transmitidas de geração em geração. Inspirados pelas obras “Ilíada” e “Odisseia”, de Homero, e “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, a escola apresenta um enredo que abrange mais de 2 mil anos de histórias entre Portugal, Brasil e África, com aventuras e simbolismos.
Na mitologia grega, Orfeu é um músico que desceu ao submundo por amor. Ele é o narrador do enredo. A obra faz uma ponte com a realidade brasileira, relacionando as histórias com a atualidade e conectados pelo samba.
Em destaque, música, culinária, artesanato, arte e literatura para demonstrar a riqueza de uma nação.
O “fado”, gênero literário e musical português, é recriado no enredo como “samba fadado”, unindo histórias, artes e culturas.
Carnavalesco: Alexandre Louzada.
Quem vem?
Lorena Fafá, Lexa (rainha), Larissa Neto, Patrícia Chélida e Geisa Eloy.
Como virá a escola?
Estrutura: 3,2 mil componentes em 28 alas, 5 carros e 1 tripé. 1º casal: Matheus André e Lucinha Nobre. Bateria: Mestre Casagrande.
Qual é o samba?
Compositores: Julio Alves, Cláudio Russo, Jorge Arthur, Silas Augusto, Chico Alves e D’Sousa.
Intérprete: Ito Melodia.
Um samba fadado
Ao mar do outro lado
A pescar histórias, memória ancestral
Viaja na bruma da branca espuma
Pra encantar no carnaval
Vai buscar
No vasto oceano o heroico Odisseu
Que além do Egeu não se amedrontou
Com uma rainha tão só e carente
Mulher ou serpente que jurou o seu amor
À beira do Tejo nascia Lisboa
A musa das loas dos seus menestréis
Na praia bravia o ouro escorria
E o guardião emergia das marés
Põe no balaio um punhado de magia
Das divindades que invadiam o lugar
Põe no balaio e amassa com carinho
Que do cacho eu faço vinho
Pra colheita festejar
N’alma do fado, mil e uma noites
Doces sabores, velho saber
Sonho de Sagres, foi a Matamba
Herdou o samba, ifá, dendê
Portugal das glórias que revelam o passado
Ao monstro que sangrou escravizados
E veio aportar no mar
Que brilha sob o céu de Vera Cruz
Um banho de alfazema que conduz
O Santo Rosário e o povo de fé
Pra cantar o fado tijucano
Macumbado de amém e axé
Gira baiana perfumada de alecrim
Que a Unidos da Tijuca defuma no benjoim
Gira na roda a saia de linho rendado
Que o fado vira samba, e o samba vira fado
Imperatriz Leopoldinense
Com a sorte virada para a Lua segundo o testamento da cigana Esmeralda
Que enredo é esse?
Ramos mergulha livremente sobre o clássico literário escrito há mais de cem anos pelo paraibano Leandro Gomes de Barros, conhecido como o rei da poesia do sertão.
A obra reúne o imaginário místico do universo cigano reinterpretado pelos delírios da literatura nordestina popular.
O enredo leopoldinense tem como premissa o lúdico da cultura cigana, traduzido em canto, dança e imagens poéticas, para criar uma narrativa que festeja o desejo de bem viver e se alimenta da ânsia pela boa sorte.
Carnavalesco: Leandro Vieira.
Quem vem?
Fernanda Lima, Rafa Kalimann, Arícia Silva e Maria Mariá (rainha).
Como virá a escola?
Estrutura: 3,2 mil componentes em 23 alas, 5 carros e 2 elementos cenográficos. 1º casal: Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro. Bateria: Mestre Lolo.
Qual é o samba?
Compositores: Renne Barbosa, Antonio Crescente, Miguel da Imperatriz, Luiz Brinquinho, Gabriel Coelho, Me Leva, Jeferson Lima, Rômulo Meirelles, Jorge Goulart, Silvio Mesquita, Carlinhos Niterói e Bello.
Intérprete: Pitty de Menezes.
Ê cigana
A caravana está em festa
Tem fogueira, dança e seresta
Nesta Avenida da ilusão
Ao som de violão e violino
O verso da mais pura inspiração
Descobri seu testamento e fiz um manual
Sonhei a vida feito carnaval
Em devaneios e magia
Cerquei por todos os lados
Riscando a fé no talão
Apostei na coroa e no coração
O destino é traçado na palma da mão
E a vida se equilibra em cada linha
Andarilho sonhador, na corda bamba do amor
Encontrei minha rainha (Ô Imperatriz)
Olhei o céu
No infinito da constelação
A noite, o véu
Eu vi os astros na imensidão
Fui sob à luz das estrelas
Buscar a certeza da minha direção
Ê luar de balançar maré
Meu cantar é um sinal de fé
Prenúncio da sina da minha Escola
O Sol beija a Lua no espelho do mar
Já está marcado no meu calendário
Verde-esmeralda, é vitória que virá
O que é meu é da cigana
O que é dela não é meu
Quando chega fevereiro meu caminho é todo seu
Fonte: G1

