A publicação “Dinâmica do Cultivo de Cana-de-açucar no Brasil – 1990 a 2018” desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente de Jaguariúna, SP, compilaram informações sobre históricos da produção e ocupação de áreas com cana-de-açúcar no Brasil entre 1990 e 2018.
O documento apresenta uma análise sucinta dos fatores que contribuíram para mudanças nessa dinâmica de produção, retratando ciclos de retração e expansão, tanto em escala nacional como em macrorregiões.
O levantamento de dados da cana-de-açúcar foi priorizado frente a outras culturas devido à alta relevância no setor agropecuário.
De acordo com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a cana-de-açúcar é o 6º produto que mais contribuiu com o valor bruto da produção (VBP) do agronegócio brasileiro, respondendo por 7,4% dos R$ 614 bilhões gerados em 2018.
Para isto, ocupou 8,6 milhões de hectares na última safra (2018-19), atrás apenas da soja e do milho, com 35,6 e 17,5 milhões de hectares plantados, respectivamente.
De acordo com a pesquisadora Nilza Patrícia Ramos, “o conhecimento da dinâmica de produção é essencial no planejamento de ações futuras para o setor sucroenergético. Isto, porque as informações de expansão e retração de áreas e da produção embasam as decisões a respeito de investimentos das iniciativas pública e privada em tecnologia, mão de obra e infraestrutura. Inclusive orientam os gestores públicos quanto à necessidade de políticas públicas regionais”, afirma.
Como resultado, a pesquisa mostrou que houve grande expansão de áreas no Sudeste, que, historicamente, é a maior região canavieira do Brasil, além da região Centro-Oeste, onde quase não havia histórico de cultivo. A área nacional colhida passou de 4,27 milhões de hectares em 1990 para 10,04 milhões de hectares em 2018, um aumento de 135%.
Uma das autoras da publicação, a pesquisadora Paula Packer informa que “neste horizonte longo de tempo, a produtividade nacional aumentou significativamente. No entanto, nos últimos anos foram observadas oscilações que favoreceram quedas de rendimento de colmos, mesmo no Centro-Sul, o que fez soar um alerta dentro do setor sucroenergético para a necessidade de se identificar e sanar as causas que levaram a estas perdas”.
Segundo os pesquisadores “com o cenário atual e crescente da colheita crua e possível encerramento total da queima dentro do setor canavieiro, outras práticas que contribuem para emissões de GEE possivelmente passarão a ter maior destaque, como por exemplo a emissão de N2O derivado do fertilizante nitrogenado, utilizado na adubação da cana-de-açúcar e sua associação com a palha mantida pós-colheita crua”, explicam.
O estudo tem como autores Danilo Francisco Trovo Garofalo (bolsista da Faped – Fundação Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento) e os pesquisadores Ana Paula Contador Packer, Nilza Patrícia Ramos, Vitor Yukio Kondo, Marília Ieda da Silveira Folegatti e Osvaldo Machado R. Cabral.
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*Embrapa Fotos: Reprodução

