Por Beatriz Costa
O mundo aplaudiu de pé o restaurante Maido, em Lima, eleito o melhor restaurante do mundo durante a cerimônia do The World’s 50 Best Restaurants, realizada esta semana em Las Vegas, Itália. Conhecido por sua fusão entre a culinária japonesa e peruana, a chamada nikke, Maido representa não apenas um triunfo da gastronomia sul-americana, mas também acende os holofotes para a rica diversidade de sabores da região.
E se o Peru conquistou o topo, por que Belém e Manaus não poderiam ser as próximas?
A culinária amazônica vem ganhando força e projeção no cenário nacional e internacional, impulsionada por chefs que acreditam no poder transformador da floresta e no protagonismo dos povos originários. Produtos como o tucupi, o jambu, o açaí nativo, o pirarucu, a castanha-do-pará e o cupuaçu deixam de ser ingredientes regionais para se tornarem estrelas de pratos dignos de alta gastronomia.
Em Manaus, restaurantes como o Banzeiro, da chef premiada Débora Shornik, e o Caxiri, com vista privilegiada para o Teatro Amazonas, se destacam como vitrines da nova cozinha amazônica. Ambos combinam técnicas sofisticadas com o profundo respeito pela tradição e pelo território.
Já em Belém, conhecida como a capital criativa da gastronomia pela Unesco, o movimento gastronômico também é pulsante. A cidade vive uma revolução de sabores com chefs que transformam mercados populares, como o Ver-o-Peso, em verdadeiros laboratórios de inovação. A cidade já foi sede do Terra Madre e outros festivais que conectam o mundo à floresta por meio da comida.
O que une essas cozinhas é mais do que o sabor: é a ancestralidade viva. Cada prato carrega histórias dos ribeirinhos, quilombolas, indígenas e pequenos produtores. É a floresta servida à mesa — com respeito, técnica e identidade.
“A Amazônia não é só biodiversidade. É também uma potência gastronômica em construção”, diz um dos chefs do Caxiri, ressaltando que o reconhecimento internacional é uma questão de tempo e investimento.
Com produtos que não existem em nenhum outro lugar do mundo e uma cozinha baseada na sustentabilidade e na valorização das culturas locais, Manaus e Belém têm todos os ingredientes para conquistar o mundo, assim como o Peru conquistou agora com Maido.
O fogão da Amazônia já está aceso. E o mundo começa a sentir seu perfume.

