Um estudo conduzido pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelou que a água que abastece a população em 155 municípios catarinenses, mais de 50% das cidades do estado, contém resíduos de agrotóxicos detectados em análises laboratoriais. O levantamento analisou amostras de água tratada entre 2018 e 2023, sob coordenação do Centro de Apoio Operacional do Consumidor.
Foram encontrados 42 tipos diferentes de pesticidas nas amostras. Entre eles, cinco substâncias estão proibidas no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo benomil, carbofurano, haloxifobe metílico, metolacloro e molinato.
Embora os resultados tenham identificado presença de agrotóxicos, as concentrações medidas estão abaixo dos limites máximos permitidos pela legislação brasileira, o que significa que, em termos técnicos, a água é considerada aptas para consumo segundo os parâmetros oficiais. Ainda assim, o relatório levanta preocupações quanto aos efeitos a longo prazo da exposição contínua a essas substâncias.
Distribuição por regiões e exemplos
A incidência dos traços de agrotóxicos varia conforme a região analisada:
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Sul Catarinense: 35 de 46 municípios (76,1%) apresentaram resíduos.
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Grande Florianópolis: 12 dos 21 municípios com presença de agrotóxicos.
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Oeste: 63 de 118 cidades.
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Vale do Itajaí: 24 de 54 municípios.
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Norte: 11 de 26.
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Serra: 10 de 30.
No município de Ituporanga, por exemplo, foram identificados até 23 ingredientes ativos diferentes em uma única análise, enquanto Imbuia registrou 17 substâncias distintas, incluindo ativos proibidos há anos.
Impactos e ações propostas
O relatório destaca que a contaminação não se limita aos recursos hídricos, mas também pode afetar solo e ar, ampliando os riscos ambientais e à saúde pública. Autoridades de saúde ambiental e o MPSC planejam criar grupos intersetoriais que inclinem vigilância sanitária, serviços de saúde, agricultura e defesa do consumidor para promover ações de conscientização e prevenção.
A reportagem da CNN Brasil procurou a Secretaria Estadual de Saúde e a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) para comentar os dados, mas não obteve respostas até a publicação da matéria.
Fonte: CNN Brasil

