Quando a vacina chegar e eu for vacinada, farei tudo aquilo que não pude fazer nesse ano. Conversar com os amigos, visitá-los, abraçar e beijar meus familiares. Sair pra rua sem pressa de voltar pra casa e respirar muito melhor sem a máscara.
Quando a vacina chegar, vou sair tranquila, sem medo e poderemos reconhecer as pessoas sem máscaras na rua, porque com máscara, às vezes, deixamos de saber que é o outro.
Quando a vacina chegar, vai vir com ela muitas gotas de esperança em nossas vidas, voltaremos a viver mais descontraídos e felizes.
Quando a vacina chegar, serei ainda mais humilde, porque aprendi a reconhecer o meu próximo, aprendi a valorizar as pessoas, reconhecer o valor de um abraço e um aperto de mão, aprendia a ter mais empatia e a escutar os outros, cuidar do outro.
Quando a vacina chegar, vou poder ir na academia sem tantos cuidados e neuroses, ir no parque, restaurantes e até na fila do banco mais sossegada.
Quando a vacina chegar, vamos reunir toda à família, nos abraçarmos sem medo de passar o vírus para o outro, porque o povo gaúcho e brasileiro gosta de abraçar, um povo hospitaleiro.
Quando a vacina chegar, vamos poder viajar, visitar os amigos e parentes, e também conhecer gente nova, o que não fizemos este ano. Sair com mais tranquilidade.
Quando a vacina chegar, vou poder ir no estádio e no ginásio torcer pelo meu time, gritar gol, pular, torcer e gritar novamente. Quando a vacina chegar, vai ser uma data lembrada nas nossas vidas para sempre. Quero poder sair na rua, olhar as vitrines, tomar um sorvete e ver gente feliz, confiantes, solidárias.
Quando a vacina chegar, dizem que nossas vidas vão voltar ao normal. Eu não penso assim, porque quando ela vier eu serei mais humana, cuidadosa, amável, corajosa, com mais fé em Deus, com experiências novas, com mais coragem para enfrentar esse mundo, com mais sabedoria, empatia e principalmente com mais humildade diante desse mundo e dessa vida. Com certeza quando a vacina chegar, meu espírito já evoluiu muito, porque eu aprendi com a pandemia, aprendi a respeitar Deus, a entender as lições que ele quis passar pra todos e espero que todas as pessoas também tirem uma lição pra suas vidas.
Depoimento de duas pessoas em relação ao COVID-19 e ao isolamento.
PERDI ALGUÉM PARA O COVID-19
Rubensina Alves Rodrigues – Alegrete- RS
“…Eu perdi meu esposo para o COVID-19. No dia 14 de novembro ele baixou o hospital já com muita tosse, tive que entregar ele para os médicos e fui orientada a ficar em isolamento em casa. No isolamento eu me senti muito mal vista pelas pessoas, me senti muito sozinha, mas sempre com a esperança de que ele iria voltar para casa. Eu ficava o dia todo esperando notícias do hospital, eles ligavam apenas uma vez ao dia pra darem notícias. Eu ficava muito nervosa esperando pela ligação, pois eles davam na hora que queriam. No dia 7 de dezembro ligaram do hospital avisando que ele tinha falecido. Eu entreguei meu marido no hospital e recebi ele dentro de um caixão fechado, nunca mais eu vi o rosto dele. Eu aprendi com o COVID-19, que devemos nos cuidar mais e cuidar dos outros também…”
VENCENDO O COVID-19
DAVI NUNES SEVERO (9 anos) e Mônica Ximenes Nunes (mãe). Santa Maria – RS
“…Meu filho Davi entrou em férias dia 18 de dezembro (sexta), no dia 17 ele foi comigo na casa de uma prima e brincou um pouco com ela e tirou a máscara dentro de casa. Durante a pandemia ele não saia de casa, saiu essa vez comigo. No domingo começou a sentir alguns sintomas, muita dor de cabeça, dor abdominal e diarreia. Na segunda-feira levei ele para fazer o teste do COVID-19 e ele positivou, eu e a minha outra filha deu não reagente. Eu e ele estamos de resguardo dentro de casa por 15 dias, foi bem complicado, porque pegou o momento das festas de natal e ano novo, tivemos que ficar isolados em outra cidade longe dos familiares. O Davi também sentiu dor nas panturrilhas, cada dia era uma dor diferente, também um resfriado. O que ele mais sentiu nesses dias, foi o fato de ter que ficar sozinho, de não ver pessoas, ele ficou muito triste para quem tem apenas 9 anos. Nosso período de resguardo ainda vai até o dia 3 de janeiro. Eu me cuido, coloco a máscara quando ele vem pro meu lado, lavando sempre as mãos, não sei se eu peguei, pois não fiz o exame novamente, sinto apenas a garganta irritada. Tomamos todas as medicações, a Azitromicina, a Cloroquina, a Ivermectina e Presidium(Davi).
Estamos conversando, brincando, fizemos exercícios, desenhando, eu aprendi a jogar o jogo que ele gosta no celular pra ele se distrair. Digo que é bem complicado para a criança que entrou em férias, iria para a casa dos avós em outra cidade. Mas graças À Deus, estamos bem…”
Escritora

