Em parceria com o Estado, produtores regionais vendem seus produtos para abastecer as escolas da rede estadual de ensino
A Agência de Desenvolvimento Sustentável possui dois programas de regionalização que visam garantir a qualidade dos produtos que chegam às escolas da rede pública de ensino. Batizados de Programa de Regionalização do Mobiliário Escolar (Promove) e Programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme), os dois juntos movimentaram R$ 46 milhões em 2019.
De acordo com a ADS, o Promove movimentou aproximadamente R$ 6 milhões, dos quais foram produzidos oito tipos de mobiliários: quadro branco, conjunto professor, armário de 12 portas, armário alto, mesa para refeitório, mesa para escritório, banco para laboratório e mesa para computador. A Agência afirma que 28 municípios foram beneficiados e foram adquiridas mais de 6.227 mil unidades de móveis.
A moveleira Cleonissa Ferreira, 44, é hoje proprietária de uma das 42 movelarias do interior do estado cadastradas no Promove. Ela conta que, quando criança, estudou em escola pública e, muitas vezes, era necessário fazer revezamento com outros alunos porque não havia carteiras suficientes para todos.
“No meu tempo, a gente revezava cadeira, uma hora sentava no chão, a gente não tinha cadeira para todos. Hoje em dia, já tive oportunidade de presenciar os meus filhos usando as cadeiras que a gente faz e colocou naquelas escolas, deu uma satisfação muito grande”, lembra Cleonissa.
A moveleira afirma que hoje o Promove é o seu principal gerador de renda e que a CF Movelaria, atualmente, emprega 16 pessoas com carteira assinada. “A gente sobrevive desse programa. Ele nos proporcionou crescer, tanto financeiramente quanto em conhecimento”, comenta. Ela explica que para se credenciar no Promove, é necessário trabalhar com madeira de plano de manejo, com origem florestal.
“E nós fazemos isso desde sempre. É um incentivo do governo que quer a gente trabalhando legalizado. Que o governo nunca deixe o programa acabar, porque é muito importante pra nós, geramos emprego dentro do nosso município”, comenta a moveleira.
Merenda escolar
O programa da ADS mais forte voltado para as escolas é o Preme. Sozinho, ele movimentou R$ 40 milhões, com a comercialização estimada em 4 mil toneladas de produtos regionais para as escolas da rede pública estadual.
O produtor Edney Marques, da fazenda Santa Rosa, no município de Iranduba, é um desses produtores que dão vida ao programa da ADS. Ele produz laranja, limão, tangerina e outros produtos. “O limão a gente está produzindo quase um milhão de tonelada por ano. E a tangerina dois milhões de unidades e a laranja 5 milhões de fruta por ano”, informa.
Para ele, o programa tem ajudado bastante o produtor rural a escoar a produção. “Infelizmente, ainda não é o suficiente, logo no início, eles compravam bastante, mas agora, devido terem aumentado a quantidade de produtores cadastrados no Preme, eles estão comprando menos de mim. Mas tem ajudado bastante, porque a safra chega de quase todo mundo igual, então a gente consegue manter um preço razoável que ajuda a desafogar isso no mercado”, diz.
O presidente da Associação Comunitária dos Produtores do Purupuru (Ascopru), João Medeiros, 52, tem opinião semelhante a de Edney. “O Preme tem ajudado muito, o preço é bacana, colocamos uma parte da produção nele, sabemos que são muitos produtores, então temos uma cota e tem um limite, a gente compreende e agradece, porque é um negócio certo”, comenta.
Preme Agroindústria
O empresário e proprietário da Parintins Polpas, Francinaldo Godinho de Souza, é o outro elo dessa cadeia formada também pelos produtores e pelo governo do Estado. “Como estamos no Baixo Amazonas, a logística é um processo muito complicado, então se não fosse o estado através do Preme seria muito difícil a gente estar aqui gerando emprego e renda em Parintins, na verdade, somos um polo formado por Maués, Barreirinha, Boa Vista do Ramos e Nhamundá, e chegamos até a Novo Remanso e Urucará”, comenta o empresário.
Francinaldo explica que os produtores desse polo que abastecem a sua agroindústria de frutas. “Os produtores trazem os produtos até Parintins, ele é processado, fazemos a compra direta e a gente industrializa e entrega a polpa de fruta para a merenda escolar através do Preme”, detalha o empresário, acrescentando que, no ano passado, foi comercializado 60 toneladas de polpa de fruta pelo programa.
De acordo com a ADS, o Preme credenciou 554 fornecedores de produtos regionais, entre eles estão 44 produtores, 25 associações, 23 cooperativas e 40 agroindústrias de 25 municípios do estado. O programa possibilita a compra de hortaliças, legumes, verduras e frutas, além de produtos beneficiados como polpas e doces, produzidos e cultivados no estado. O público atendido é de mais de 500 mil alunos.

