O produtor que fizer investimento e custeio associado, pode receber até R$ 300 mil de financiamento
Agricultores familiares e produtores rurais que estão tendo prejuízos em suas produções devido à enchente deste ano, podem acessar o crédito rural emergencial. Para conhecer os detalhes sobre a obtenção ao crédito rural, de maneira menos burocrática, consultamos ao gerente de Crédito Rural do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Luiz Antônio Nascimento.
A principal novidade é que, até 30 de junho de 2021, está dispensada a apresentação de licença ambiental para acesso ao crédito por parte da agricultura familiar.
Veja a seguir:
1- Agroflorestamazonia.com: Quais são os passos a seguir pelo produtor para contratar o crédito?
-Luiz Antônio: Inicialmente, ele deve procurar uma das unidades locais do Idam nos 62 municípios do estado do Amazonas, munido de seus documentos pessoais e os documentos da propriedade, inclusive os documentos de regulamentação ambiental, como o CAR.
Após isso, ele vai passar por uma entrevista prévia, passar por um processo de pesquisa cadastral, e, se o resultado da pesquisa cadastral for positivo, ele dará seguimento na fase de visita técnica à propriedade para elaboração de laudo técnico de vistoria prévia.
Em seguida é elaborado o projeto para ser encaminhado ao agente financeiro.
2- Agroflorestamazonia.com: -Qual é o limite do crédito emergencial por cada produtor rural?
-Luiz Antônio: Para o produtor rural, o Governo do Amazonas, por meio da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) disponibiliza desde R$ 500 podendo chegar a até R$ 300 mil, sendo até R$ 250 mil com investimento e até mais R$ 50 mil para custeio. Ou seja, quem fizer investimento e custeio associado pode chegar a até R$ 300 mil por produtor.
3-Agroflorestamazonia.com: O crédito será liberado para todos os municípios do Amazonas?
-Luiz Antônio: O crédito emergencial está disponível em todos os municípios do Amazonas.
4-Agroflorestamazonia.com:-Quais as condições de financiamento, prazos de pagamento, número de parcelas e taxas de juros?
-Luiz Antônio: O prazo de pagamento depende muito da atividade que vai ser financiada e das condições, se é um investimento ou custeio. Se ele for um custeio agrícola, ele tem até dois anos para ser pago.
Se ele for um custeio pecuário ele tem um ano de carência e mais um ano para ser pago. Se for um investimento fixo, pode chegar até 12 anos. No caso de ser um investimento semifixo pode chegar até 6 anos.
O número de parcelas a ser pago também depende das atividades a serem financiadas. As culturas de ciclo curto, como é o caso da melancia, têm um prazo de pagamento menor. Já as culturas com um ciclo mais demorado, como é o caso das culturas industriais como o guaraná, da fruticultura como o açaí, têm um prazo maior devido ao calendário agrícola da cultura.
Então não tem um prazo determinado para todo mundo, depende da atividade que vai ser financiada e do demonstrativo da capacidade de pagamento por aquela atividade financiada. Isso é o que vai determinar qual será o prazo de pagamento.
As taxas de juros hoje implicam mais, para produtor rural, juros de 3,6% ao ano com o bônus de adimplência de 25% em cima dos juros mediante o pagamento das parcelas em dias.
5-Agroflorestamazonia.com:–Quanto tempo demora para ser entregue o dinheiro para o produtor?
-Luiz Antônio: O tempo de recurso é muito relativo. Depende muito da equipe de cada unidade nossa do Idam. Tem locais que tem mais gente, profissionais com mais experiência, e o processo é mais acelerado. Também tem equipes reduzidas com pouca experiência em outros escritórios, demorando mais um pouco.
Mas gira em torno de duas semanas, entre o início do processo até a liberação da primeira parcela.
Por Dulce Maria Rodriguez
Fotos: Divulgação

