Ministra portuguesa elogia consenso climático, destaca liderança brasileira nas florestas e reforça prioridade global para adaptação
Por Antonio Ximenes, diretor de redação e correspondente na COP30 em Belém-PA.
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, caminha para o encerramento com um clima de alívio e satisfação diplomática. Para a Ministra do Ambiente e Energia de Portugal, Maria da Graça Carvalho, o encontro surpreendeu positivamente ao superar impasses e garantir avanços significativos em áreas-chave, como adaptação climática, cooperação internacional e preservação das florestas tropicais.
Em entrevista exclusiva, a ministra avaliou os acordos firmados, destacou o empenho brasileiro e reafirmou o compromisso português com os países mais vulneráveis aos efeitos da crise climática.
Acordo Final: “Saímos com sentimento de missão cumprida”
Para Maria da Graça Carvalho, o maior sinal de sucesso da COP30 foi a construção do consenso entre as delegações. Segundo ela, havia preocupação real de que as negociações pudessem fracassar — cenário evitado graças ao esforço coletivo dos países.
“Chegámos a um acordo. Vai ser votado agora, e penso que estamos todos de acordo. A União Europeia decidiu o seu voto há pouco tempo, e isso é muito bom”, afirmou.
A ministra destacou que o entendimento comum reforça a credibilidade do processo multilateral e permite avançar com segurança para a implementação das medidas pactuadas.
Florestas Tropicais: Iniciativa Inovadora da Presidência Brasileira
Questionada sobre o protagonismo dado às florestas tropicais durante a COP30, a ministra elogiou a criação do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, proposta capitaneada pelo Brasil.
“É uma iniciativa inovadora, paralela ao que se passa na COP, mas muito importante. Portugal foi o primeiro país da União Europeia a aderir.”
Maria da Graça Carvalho ressaltou que o fundo não se trata de doações, mas de um mecanismo de investimento com potencial para gerar impactos globais. Para ela, apoiar a preservação das florestas tropicais — consideradas “o pulmão do mundo” — é um passo crucial para estabilizar o clima e promover desenvolvimento sustentável nos países que abrigam esses biomas.
Prioridades de Portugal: Acordo Equilibrado e Ações de Adaptação
A delegação portuguesa sai de Belém com a percepção de que os principais objetivos foram alcançados. A ministra afirma que o texto final combina ambição com equilíbrio, especialmente nos temas de redução de emissões e diminuição do uso de combustíveis fósseis.
Outro ponto central para Portugal foi o fortalecimento da cooperação com países em desenvolvimento, sobretudo os pequenos Estados insulares e nações africanas, regiões severamente afetadas pela crise climática.
“O acordo reforça nossa ligação com esses países, especialmente através do que foi aprovado na área da adaptação.”
Segundo ela, a COP30 deve ser lembrada como uma “COP da adaptação e da implementação”, marcando um momento em que o mundo passa a priorizar ações concretas no território — e não apenas metas distantes no papel.
Consensos e Concessões: “Numa COP, ninguém leva tudo para casa”
Ao comentar o posicionamento dos países africanos e a aceitação de novas metas climáticas, a ministra reforçou a ideia de que o sucesso da conferência depende da disposição dos países em ceder.
“Isto quer dizer que todos cedemos um pouco. Numa COP, ninguém leva tudo o que quer para casa. Cada um cede um pouco, mas tem que ter o retorno. E nós tivemos, como todos tiveram.”
A fala sintetiza o espírito de negociação que dominou os corredores da COP30: cooperação, flexibilidade e compromisso mútuo.


