Portugal avança com o primeiro porta-drones naval da Europa

Portugal está prestes a marcar um novo capítulo na inovação marítima europeia com a chegada do NRP D. João II, considerado o primeiro porta-drones construído especialmente para esse fim no continente. A embarcação, que integra tecnologia de ponta e automação, tem entrega prevista para o segundo semestre de 2026 e será operada pela Marinha de Portugal.

Um navio multipropósito para o século XXI

Projetado como uma plataforma naval multifuncional, o NRP D. João II tem cerca de 107,6 m de comprimento, desloca aproximadamente 7 000 toneladas e conta com um convés de voo de cerca de 94 m voltado para a operação de drones. Sua missão principal é servir de base para veículos não tripulados — incluindo drones aéreos, de superfície e subaquáticos —, além de oferecer suporte a helicópteros e outras embarcações robóticas.

O navio está sendo construído pelo estaleiro Damen Shipyards, na cidade de Galați (Romênia), sob contrato firmado em 2023, com grande parte do financiamento proveniente do Plano de Recuperação e Resiliência da União Europeia.

Menos tripulação, mais flexibilidade

Uma das características que mais chama atenção é o baixo número de tripulantes previsto para o navio — cerca de 48 militares, possível graças ao alto nível de automação embarcada. Além disso, o projeto inclui alojamento para cerca de 42 especialistas, como operadores de sistemas não tripulados, técnicos e cientistas. Em situações especiais, como missões humanitárias ou operações de apoio em desastres, a embarcação pode acomodar temporariamente entre 100 e 200 pessoas.

Capacidades ampliadas e uso diversificado

O NRP D. João II foi concebido para executar uma ampla gama de tarefas, que vão além de missões militares tradicionais. Entre as funções previstas estão:

  • Vigilância marítima persistente e controle de grandes áreas oceânicas.

  • Pesquisa científica e monitoramento ambiental.

  • Operações de busca e salvamento.

  • Apoio a missões civis e cooperação internacional.

Com autonomia estimada de até 45 dias no mar sem necessidade de apoio logístico próximo, a plataforma amplia a capacidade operacional de Portugal sobre suas águas e zonas marítimas estratégicas no Atlântico.

Um marco estratégico para a UE

Ao lançar um navio projetado especificamente para operar drones em diferentes ambientes marítimos, Portugal não apenas moderniza sua frota, mas também se posiciona como referência em inovação naval na União Europeia. A tendência por plataformas menos custosas e mais tecnológicas reflete uma mudança no conceito de presença marítima, em que os sistemas não tripulados desempenham papel cada vez mais central.

Post Author: Beatriz Costa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *