Tradicional banca no Mercado Adolpho Lisboa, no Centro de Manaus, comercializa pirarucu de manejo sustentável com certificado de origem para viagens e procedência sanitária.
O casal de empreendedores Wanderson Dias da Silva e Fernanda Michely Pereira, ambos com 27 anos, tem sete bancas de venda de pirarucu no Mercado Adolpho Lisboa no Centro da cidade, na rua dos Barés, 46. Semanalmente, os jovens comercializam três toneladas do maior peixe de escama de água doce do mundo. Eles compram somente peixes de manejo legal dos municípios de Fonte Boa, Japurá, Tonantins, Coari, Maraã, Jutai, Tefé, entre outros do interior amazonense.
Segundo Wanderson, o sucesso do empreendimento se deve aos ensinamentos da mãe Marta Dias da Silva (que durante 15 anos teve uma banca no mercado) e que o ensinou a trabalhar com peixe; mas também ao padrasto Zenildo Mesquita, que há mais de 30 anos compra e vende peixes regionais. “Eu até que tentei trabalhar com outras coisas, mas o que faço melhor é vender peixe, por isso foquei nas bancas aqui do mercado”, disse.
O empresário relata que conheceu sua esposa vendendo peixe. “Eu tinha 18 anos e vendia para a tia dela,a dona Adailza Nunes, no bairro Santa Luzia, e quando à vi, pela primeira vez, em uma das minhas entregas, percebi que ela seria a mãe dos meus filhos (as). Fiz de tudo para conquistá-la e deu certo, porque hoje somos felizes e temos duas meninas”, salientou.
A empresária Fernanda comenta que eles dão certo, porque conversam sobre os negócios e as coisas da vida com naturalidade e respeito mútuo, sempre buscando o entendimento. “Eu cheguei a cursar Administração por dois anos na Uninorte, mas com o nascimento das nossas filhas, e por ajudar na condução das bancas, tive que trancar a matrícula. Mas, um dia, eu voltarei a estudar, porque isso é importante para a gente”, ressaltou.
Wanderson afirma que os turistas são clientes de suas bancas e que toda vez que vende para os estrangeiros, que tem que retornar para seus países, entrega um documento de que o seu pirarucu é de área de manejo sustentável. “Isso é muito importante, porque as autoridades deixam passar na alfândega, por identificarem a procedência do peixe”, frisou.
Ele também fornece pirarucu para restaurantes e uma rede de pequenos comerciantes de peixe. Sobre trabalhar no mercado Adolpho Lisboa, um prédio histórico de 1883, e que teve sua estrutura de ferro desenhada e fabricada pelo engenheiro francês Gustave Eiffel, o mesmo que construiu a Torre Eiffel de Paris, na França, é motivo de orgulho e identificação. “Praticamente me criei aqui e muitos comerciantes locais me conhecem. Eles me viram crescer no meio dos peixes, que a mãe vendia na banca dela”, recordou.
A banca de Wanderson e Fernanda está localizada no Pavilhão do Peixe, do Mercado Adolpho Lisboa, situado à Rua dos Barés, Centro de Manaus.
Texto: Antonio Ximenes / Fotos: William Rezende e Antonio Ximenes















