Pesquisa Científica na Amazônia Revela Potencial Medicinal de Plantas Regionais

A biodiversidade amazônica tem sido objeto de intensas pesquisas científicas, especialmente no que diz respeito ao potencial medicinal de suas plantas. Estudos recentes revelam propriedades promissoras que podem beneficiar tanto a saúde humana quanto a agricultura sustentável.

Uma pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas avaliou óleos essenciais de doze espécies vegetais para o controle de doenças em plantas. O estudo identificou que os óleos de alecrim-da-chapada (Lippia gracilis), pimenta-de-macaco (Piper aduncum) e alecrim-pimenta (Lippia sidoides) não apenas inibiram o desenvolvimento de fungos fitopatogênicos, mas também estimularam o sistema de defesa das plantas, induzindo resistência. O coordenador da pesquisa, doutor em Biotecnologia Rogério Eiji Hanada, destaca que essa abordagem oferece uma alternativa eficiente e sustentável para o controle de doenças agrícolas, especialmente para pequenos agricultores envolvidos na agricultura orgânica.

No campo da saúde humana, pesquisadores têm investigado compostos extraídos de plantas amazônicas para o tratamento de doenças como malária e leishmaniose. Um estudo desenvolvido em Itacoatiara confirmou a presença de compostos metálicos sintetizados das espécies lacre (Vismia guianensis) e lacre-branco (Vismia cayennensis), conhecidos por seu uso tradicional no tratamento de diversas enfermidades. A coordenadora da pesquisa, Dominique Fernandes de Moura do Carmo, ressalta que, embora os medicamentos atuais sejam eficazes, sua alta toxicidade pode causar efeitos colaterais significativos, tornando essencial a busca por novas alternativas terapêuticas baseadas em recursos naturais.

Alecrim-pimenta (Lippia origanoides) | A planta da vez

Além disso, iniciativas como o I Simpósio Paraense de Plantas Medicinais da Amazônia, realizado pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), têm promovido a integração entre o conhecimento tradicional e a pesquisa científica. O evento reuniu especialistas para discutir a conservação e o uso sustentável das plantas medicinais amazônicas, enfatizando a importância de validar cientificamente os saberes populares para garantir aplicações seguras e eficazes.

A doutora em Ciências Farmacêuticas Renata Takeara Hattori, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), conduziu uma pesquisa que avaliou extratos alcoólicos de plantas como cipó-alho (Mansoa alliacea), camu-camu (Myrciaria dubia) e jambolão (Syzygium cumini). Os resultados preliminares indicam atividades antimicrobianas e acaricidas, sugerindo um potencial significativo para o desenvolvimento de novos produtos terapêuticos e agrícolas.

Esses estudos ressaltam a relevância da pesquisa científica na validação e potencialização dos conhecimentos tradicionais sobre as plantas medicinais da Amazônia, abrindo caminho para novas terapias e práticas agrícolas mais sustentáveis.

 

Texto: Beatriz Costa

Fotos: Reprodução

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