Parintins movimenta milhões: o impacto econômico do festival para o Amazonas

Por Beatriz Costa

A cada ano, o Festival Folclórico de Parintins vai além do espetáculo cultural dos bois Garantido e Caprichoso. A tradicional festa, realizada no final de junho, transforma o município amazonense em um verdadeiro polo econômico temporário, impulsionando setores como turismo, hospedagem, alimentação e geração de empregos.

De acordo com dados da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), a edição de 2025 do festival tem expectativa de movimentar mais de R$ 150 milhões na economia local — valor que representa um crescimento em relação ao ano anterior.

Turismo em alta

Com uma população de cerca de 115 mil habitantes, Parintins chega a receber mais de 80 mil visitantes durante os dias de festival, segundo a Amazonastur. A maioria dos turistas vem de Manaus, mas há também um número expressivo de visitantes de outros estados e até do exterior.

A empresária Luciana Nogueira, proprietária de uma agência de viagens especializada em roteiros amazônicos, destaca que os pacotes para o festival se esgotam com até dois meses de antecedência. “É o maior evento cultural da Amazônia e um dos maiores do Brasil. O impacto no turismo é direto: vendemos pacotes completos com aéreo, hospedagem e ingressos”, explica.

Hospedagem e improviso

A rede hoteleira de Parintins conta com cerca de 700 leitos formais, o que é insuficiente para a demanda. Isso impulsiona alternativas como aluguel de casas, quartos, barcos-hotéis e até escolas públicas adaptadas temporariamente para abrigar turistas.

“Durante o festival, nossa casa vira pousada. Recebemos até 15 hóspedes por dia”, conta Maria do Carmo Ribeiro, moradora do bairro Palmares. Segundo ela, o aluguel de quartos rende o suficiente para ajudar nas finanças da família por vários meses.

Alimentação local e negócios aquecidos

O setor de alimentação também experimenta um forte aquecimento. Restaurantes, bares, barracas de rua e vendedores ambulantes aproveitam o movimento para faturar alto. De acordo com a Associação Comercial de Parintins, o consumo de alimentos e bebidas durante o festival representa até 60% do faturamento anual de muitos pequenos comerciantes locais.

“Aumentamos o quadro de funcionários em 300% nessa época. É quando a gente realmente consegue crescer”, diz Paulo Farias, dono de uma hamburgueria localizada próximo ao Bumbódromo.

Geração de empregos temporários

Outro dado relevante é a geração de empregos temporários. A Prefeitura de Parintins estima que mais de 5 mil pessoas sejam contratadas temporariamente nos setores de limpeza, segurança, turismo, alimentação e produção cultural durante o festival.

O economista André Vianna, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), explica que o festival tem efeito multiplicador. “Cada real gasto em Parintins durante o festival pode gerar até R$ 2,50 em impacto econômico em outras áreas, como transporte fluvial, serviços e comércio. Isso é típico de grandes eventos com forte apelo cultural”, aponta.

Cultura como vetor de desenvolvimento

Para além da economia, o festival reafirma a importância da cultura como motor de desenvolvimento regional. “É uma vitrine para o Brasil e o mundo. Parintins mostra que investir em cultura também é investir em renda, emprego e turismo sustentável”, afirma o secretário de Cultura do Amazonas, Marcos Apolo Muniz.

Com impacto milionário, o Festival de Parintins segue provando que cultura e economia caminham lado a lado, e que o coração da Amazônia pulsa forte quando o boi dança.

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