Parintins movimenta milhões: o impacto econômico do festival para o Amazonas

Por Beatriz Costa

Com três dias de espetáculo e uma disputa vibrante entre os bois-bumbás Garantido e Caprichoso, o Festival de Parintins vai muito além da arena. A cada edição, o evento impulsiona a economia local, movimenta milhões de reais e transforma a cidade amazonense em um polo de geração de renda, oportunidades e valorização da cultura regional.

Em 2025, segundo estimativas preliminares da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), o festival deve gerar um impacto financeiro superior a R$ 160 milhões, considerando gastos com turismo, transporte, alimentação, hospedagem e serviços gerais.

Turismo em alta

Durante o período do festival, Parintins — que possui cerca de 115 mil habitantes — recebe mais de 80 mil visitantes, segundo dados da Amazonastur. Os voos para a ilha ficam esgotados semanas antes, e o fluxo fluvial também aumenta significativamente com embarcações que partem de Manaus, Itacoatiara e outras cidades.

O economista André Nogueira, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), explica que o evento promove um “efeito multiplicador” na economia local.

“A movimentação não é apenas no setor turístico. Ela se estende a empreendedores informais, artistas, costureiras, carpinteiros e todos os envolvidos na cadeia produtiva do festival”, afirma.

Hotelaria e alimentação no limite

A rede hoteleira da cidade — que possui cerca de 1.200 leitos oficiais — não dá conta da demanda, e moradores aproveitam para alugar quartos, casas e até espaços compartilhados em suas residências, gerando renda extra.

A empresária Jéssica Souza, dona de uma pousada no centro da cidade, conta que as reservas foram fechadas ainda em fevereiro.

“Além da pousada, este ano aluguei meu próprio quarto e me hospedo com familiares. É uma forma de aproveitar essa alta demanda que só acontece nessa época”, diz.

O setor de alimentação também registra aumento expressivo. De acordo com a Associação Comercial de Parintins, os estabelecimentos chegam a triplicar o faturamento durante os dias do festival.
O comerciante Carlos Menezes, dono de uma barraca de tacacá, afirma que a data representa quase 40% do faturamento anual:

“É a época que a gente mais trabalha e mais vende. Chego a contratar duas ajudantes só para dar conta do movimento”, revela.

Empregos temporários e economia criativa

Somente no setor de figurinos e alegorias, estima-se que mais de 3 mil empregos temporários sejam gerados nas semanas que antecedem o festival. Os galpões dos bois viram verdadeiras fábricas de arte, onde costureiras, soldadores, pintores, escultores e artesãos se revezam em turnos intensivos.

Para o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, o festival é a alma da cidade e também seu motor financeiro:

“O boi movimenta o coração das pessoas e o bolso de muita gente. É uma cadeia criativa e comunitária que transforma vidas”, afirma.

Além disso, a Prefeitura de Parintins estima que o comércio informal — vendedores ambulantes, motoristas de táxi e mototáxi, guias e ambulantes — seja responsável por até 25% da movimentação econômica do evento.

Desafios e perspectivas

Apesar dos números positivos, especialistas apontam a necessidade de maior planejamento logístico e investimentos em infraestrutura permanente para absorver a demanda crescente sem sobrecarregar os serviços locais.

“O Festival de Parintins tem um potencial ainda maior se houver políticas públicas que consolidem esse ciclo econômico de forma sustentável e com melhor distribuição dos lucros para a população local”, avalia o economista André Nogueira.

Com música, cor e tradição, Parintins celebra sua cultura e aquece a economia do Amazonas, provando que a arte também gera riqueza — e inclusão.

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