O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, declarou que diversas delegações internacionais solicitaram a transferência da conferência climática das Nações Unidas para outra cidade, devido aos valores “completamente abusivos” cobrados pela rede hoteleira de Belém, capital do Pará.
Segundo Corrêa do Lago, os preços das diárias chegaram a custar até 15 vezes mais do que o valor normal em Belém, ultrapassando o dobro ou triplo comum em outras edições da COP. Ele alertou que há uma forte insatisfação diplomática, especialmente entre os países em desenvolvimento, afirmando que muitos deles dizem não poder comparecer por causa desses custos extorsivos.
O caso ganhou destaque após o negociador africano Richard Muyungi, presidente do Grupo Africano de Negociadores, confirmar à Reuters que alguns países solicitaram oficialmente a mudança da COP30 de Belém. Uma reunião de emergência do bureau climático da ONU ocorreu em 29 de julho, com representantes brasileiros se comprometendo a apresentar um plano de ação até 11 de agosto.
Situação e medidas adotadas:
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Belém normalmente possui cerca de 18 mil leitos na rede hoteleira, mas a expectativa é receber aproximadamente 45 mil participantes entre 10 e 21 de novembro de 2025.
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Em resposta ao impasse, o governo brasileiro arrendou dois navios de cruzeiro, gerando cerca de 6 mil camas adicionais, além de oferecer hospedagens com tarifas entre US$ 100 e US$ 600, priorizando países em desenvolvimento com valores mais baixos (~US$ 220/noite).
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Mesmo os valores reduzidos ainda superam o subsídio diário da ONU de US$ 149 por pessoa, considerados insuficientes por muitas delegações.
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A legislação brasileira impede impor tetos às tarifas, mas diálogo diplomático vem sendo conduzido para tentar convencer o setor hoteleiro a rever os preços.
Contexto simbólico e desafios logísticos:
A realização da COP30 em Belém representa um marco simbólico importante — é a primeira vez que a conferência ocorre na Amazônia, com foco direto nos riscos climáticos locais. No entanto, essas condições geraram uma série de problemas logísticos graves, como escassez de acomodação, limitação de infraestrutura e dificuldades de transporte aéreo.
Apesar das críticas, as autoridades brasileiras reafirmam que o evento seguirá em Belém e afirmam que continuarão trabalhando para encontrar soluções e garantir a participação ampla e inclusiva de todas as nações.

