A cadeia produtiva da avicultura de postura do Amazonas corre o maior risco de sua história com a importação de ovos do Mato Grosso, São Paulo e de outras unidades da Federação. Trinta mil caixas de ovos entram mensalmente em Manaus e este número deve dobrar no curto prazo, se não houver medidas que impeçam a desestabilização da avicultura amazonense.
Várias granjas tradicionais, algumas delas com mais de 40 anos de atividades, deixaram de produzir e passaram a comercializar ovos de fora, para se manterem no mercado, em face a concorrência desleal e predatória. O que antes era autossuficiência de ovos, agora é dependência dos grandes produtores de fora que invadem nosso mercado, com ovos a preços bem abaixo do mercado, inviabilizando a produção local.
Os dias estão contados e o desemprego no setor cresce a taxas nunca antes vista. Não bastasse o aspecto comercial, há também a ameaça concreta e que já se começa a se perceber no abastecimento de adubo orgânico de galinhas para a agricultura familiar em geral. Sem este insumo natural, as plantações de hortaliças e outras culturas, também, vão sentir o impacto da invasão dos ovos que se observa em Manaus, especificamente.
Quando as autoridades despertarem para o drama que vive o setor, já poderá ser tarde, porque, mensalmente, mais portas de granjas se fecham para a produção e se abrem para importação de produtos nem sempre saudáveis, com alto índice de deterioração pelas más condições de climatização, podendo comprometer a saúde pública.
A proteína do ovo é a melhor e a mais barata que existe, ficando atrás apenas do leite materno. A população de baixa renda, que é a maior consumidora, está caindo em uma armadilha. Porque se não houver produtores locais produzindo para abastecer o mercado interno, amanhã, os ‘’tubarões de fora” vão dar as cartas dos preços sem nenhuma concorrência.
Os avicultores querem concorrência justa, eles não se inquietam com a instalação de granjas de fora no Amazonas, o que criaria um clima saudável de competitividade e geração de novos empregos (o setor emprega mais de 10 mil trabalhadores de forma direta e indireta). O problema central, é a concorrência desleal e isso não pode continuar acontecendo. Nesta direção, precisamos que o governador Wilson Lima, assessorado pela sua competente equipe da Secretaria de Produção Rural, tome medidas concretas para salvaguardar os granjeiros produtivos amazonenses. Nossa produção interna de 2,5 milhões de ovos dia está descendo a ladeira e a quebradeira do setor é uma realidade amarga. Precisamos de ajuda!

Luiz Mário Peixoto
Presidente da Associação Amazonense de Avicultura (AAMA)

