Obras do Viaduto Passarão impactam trânsito, mas podem corrigir gargalo histórico na Zona Oeste

Por Beatriz Costa

As obras do Complexo Viário Passarão têm provocado mudanças significativas na rotina de quem circula pela Zona Oeste de Manaus. Redução de faixas, aumento do tempo de deslocamento, congestionamentos nos horários de pico e necessidade de desvios fazem parte do cenário atual. Apesar dos transtornos temporários, a intervenção é apontada como estratégica para reorganizar o tráfego e melhorar a mobilidade urbana no longo prazo.

Em entrevista ao portal, o engenheiro Manoel Paiva, especialista em mobilidade urbana, explica que intervenções desse porte impactam diretamente o sistema viário, principalmente em corredores estruturais como a Avenida Coronel Jorge Teixeira.

“Do ponto de vista do tráfego urbano, obras na via pública interferem no conforto, na segurança e na facilidade de deslocamento de pedestres e veículos. O impacto depende não apenas do porte da obra, mas também das técnicas empregadas e da qualidade da sinalização”, afirma.

Redução de capacidade e efeito cascata

Segundo o engenheiro, a ocupação parcial das faixas por maquinário ou interdições reduz a vazão de veículos, o que compromete a fluidez, mesmo quando não há bloqueio total da via.

“A diminuição da capacidade provoca congestionamentos, principalmente nos horários de pico. Isso aumenta o tempo de deslocamento de pessoas, máquinas e equipamentos e resulta no acúmulo de veículos”, explica.

Ele ressalta que o aumento no tempo de viagem é, na maioria dos casos, inevitável. “A redução da velocidade média, somada à extensão dos desvios temporários e à falta de alternativas com a mesma capacidade das vias principais, impacta diretamente o tempo de percurso entre origem e destino.”

Segurança exige atenção redobrada

Outro ponto crítico é a segurança viária. Manoel Paiva destaca que a sinalização adequada é determinante para reduzir riscos de acidentes.

“A sinalização vertical de advertência, orientação e indicação precisa garantir que o motorista reduza a velocidade nesses trechos. Locais com aglomeração de pessoas, como pontos de ônibus, escolas e templos, exigem atenção redobrada”, pontua.

Ele reforça que faixas de pedestres não devem ser bloqueadas sem alternativas seguras e que a instalação correta de tapumes, cercas de proteção e iluminação noturna adequada é fundamental. “A limpeza do local também é essencial, tanto para o tráfego quanto para a segurança dos trabalhadores.”

Desvios limitados e sobrecarga viária

Com poucas alternativas viárias no entorno, os desvios acabam pressionando ruas de bairros vizinhos, como Santo Agostinho e Compensa. Para o especialista, esse é um dos pontos mais delicados da operação.

“O entorno da obra não dispõe de muitas rotas alternativas com capacidade adequada. Por isso, é fundamental investir em gerenciamento, monitoramento e fiscalização do espaço viário disponível”, avalia.

Planejamento técnico e mitigação

Paiva destaca a importância do Relatório de Impacto de Trânsito (RIT), instrumento que integra o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), previsto no Estatuto da Cidade. O documento permite identificar efeitos negativos da implantação de um Polo Gerador de Tráfego (PGT) e definir medidas mitigadoras.

“O RIT analisa os impactos no sistema viário e orienta ações para garantir segurança, fluidez e conforto. Entre as medidas necessárias estão o controle do estacionamento e da operação de carga e descarga no entorno da Avenida Coronel Teixeira”, explica.

Além das questões viárias, há reflexos ambientais. O trânsito lento eleva a emissão de gases poluentes e aumenta a poluição sonora e visual. Ainda assim, segundo o engenheiro, a obra não compromete de forma integral os parâmetros de sustentabilidade que exigiriam licenciamento ambiental específico.

Benefícios estruturais

Planejada desde 2009, na preparação de Manaus para a Copa do Mundo de 2014, a obra representa a primeira grande intervenção viária municipal na Zona Oeste. Para Manoel Paiva, se bem conduzida, poderá corrigir um gargalo histórico.

“A implantação do complexo integra um conjunto de ações voltadas à reorganização do tráfego, redução de congestionamentos e reforço da segurança viária em um dos pontos mais movimentados da cidade”, afirma.

Ele conclui que, com a adoção adequada de medidas mitigadoras, como reforço na sinalização horizontal e vertical, instalação de placas de advertência e garantia de travessias seguras, a obra tende a gerar impactos positivos duradouros.

Embora os transtornos sejam sentidos no presente, a expectativa é que o Viaduto Passarão contribua para uma mobilidade mais eficiente e segura na Zona Oeste, melhorando a fluidez em um eixo estratégico da capital amazonense.

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