Com o calor e a falta de chuva os prejuízos são de milhões, aqui no município de Alegrete são muitas lavouras perdidas, famílias sem acesso a água, poços secando, nosso estado já está em estado de emergência. Realmente a situação é grave são inúmeras as perdas de arroz, soja, milho, trigo, frutas, verduras, leite, sem falar que os animais sofrem muito com o sol e a falta de água.
Entrevistamos uma pequena produtora rural, que nos fez um relato, ou melhor, um desabafo sobre a situação na sua propriedade.
ELAINE VICENTINA NOETZOLD SILVA – PRODUTORA RURAL
Mariano Pinto – Alegrete – RS
“Moramos a 70 km da cidade do Alegrete, estamos sofrendo por falta de estradas no município, como na estrada 566, uma pavimentação que anda muito devagar e o restante dos 40 km são de pedras e buracos.
Sou descendente de alemães por parte de minha mãe e casei com um italiano, temos três filhos, fomos criados na plantação, pois aprendemos trabalhando em hortas e pomares na chácara para tirar o nosso sustento, com vendas de animais como: galinhas, porcos e ovelhas.
Aqui investimos também em pomares de frutas diversificadas, fizemos curso na EMATER e SENAR em aproveitamento das frutas, na qual aproveitamos quase tudo o que ela oferece.
Temos laranjas, bergamota, lima, limão, pêssegos, ameixa, acerola, mamão, manga, banana, pitaia, butiá, abacate, goiaba, figo, laranja de doce, uvas e abacaxi.
Com os pêssegos fizemos vários produtos como: sucos, compotas, chimia, geléia e pêssegos em passas, em torno de 20 a 25 quilos por ano, a casca é aproveitada para fazer a geléia, e eu acho que é a melhor geléia que produzimos.
Temos hortas onde produzimos todos os tipos de verduras e legumes, este ano ficamos com um prejuízo muito grande por causa do sol forte que queimou as plantas e a falta de água na raiz delas não foi suficiente como o pimentão, tomate, pepino, couve-flor, cenoura, abobrinhas que também usamos em conserva para a venda.
Muitas perdas com a plantação de milho que colhemos para o nosso consumo, para vender e após para consumo dos animais, fizemos a silagem do grão e a cama com suas folhas.
Vendemos mandioca, já descascadas, porque ficamos com a casca para a alimentação dos porcos e para as ovelhas, usamos a rama com as folhas que são trituradas para silagem das ovelhas no período de reprodução.
Agora com a seca, falta de chuva e a estiagem, perdemos todas as frutas, verduras e legumes, talvez muitas dessas árvores do pomar, não vão resistir e morrerão, pois não tem como puxar a água do poço artesiano até porque seria muito caro termos a energia dia e noite pra isso, sem falar que correremos o risco de ficarmos sem água para nosso consumo e para os animais.
Aqui na propriedade não há mais vertentes nem aquelas sangas antigas que mantinham as aguadas. Por aqui todos os produtores estão sofrendo com a falta da chuva e água. O rio Ibirapuitã secou em várias partes do seu leito e encontramos apenas algumas poças. O rio Ibicui também está sofrendo, correndo apenas um fio de água, pois está apenas com areia e pedras por todo o seu leito, está tudo muito difícil e estamos sem esperança.
Nós produtores da agricultura familiar estamos sofremos com a escassez de água, são muitos idosos sem condições de recuperarem suas plantações e vão acabar desistindo, pois cada dia que passa está mais difícil ir ao mercado e vermos produtos com má qualidade e preço altíssimo. Daqui pra frente teremos que enfrentar essa dura realidade, onde vai faltar comida na mesa da população, isso já está se tornando uma realidade, esperamos que as políticas públicas para os pequenos produtores rurais saiam do papel, porque o povo vai clamar por alimentos e não vão encontrar nem mesmo com os altos preços.”
Escritora

