Chimarrão é o símbolo da hospitalidade dos gaúchos
A tradição gaúcha se expressa de várias maneiras, no churrasco, na bombacha, nas músicas, no arroz-de-carreteiro, no andar à cavalo e principalmente no ato de tomarmos chimarrão, na qual expressamos todos os dias dentro e fora de nossas casas. Aqui no sul a criança com meses de idade já toma nossos sagrado chimarrão.
O chimarrão é o símbolo de hospitalidade e amizade dos gaúchos, toda vez que chegamos na casa de alguém sempre tem um chimarrão para nos oferecerem, claro que nesse período de pandemia, cada um tem que tomar o seu, na sua cuia, isso fez com que acabasse as rodas de chimarrão entre amigos, mas estamos esperando a pandemia acabar para nos reunirmos numa roda bem grande.
O chimarrão também é chamado de mate e mate amargo, o que importa é que ele sempre foi um gesto de cordialidade do anfitrião.
Nos antigos puxirões (mutirão) a presença do chimarrão representava o selo de um trabalho em comum, fazendo a roda do chimarrão girar.
É o nosso companheiro do dia a dia, nossa bebida preferida, quando mateamos solitos colocamos nossos pensamentos em dia é um momento de grande reflexão. Tomando nosso mate estamos acendendo a nossa tradição dentro de nossos lares, passando nossos costumes para nossos filhos e netos, bem como o tradicionalismo ensina.
A cuia deve ser sempre passada a diante com a mão direita, quando não quisermos mais tomarmos, devemos apenas dizer “obrigado” e nunca falarmos: ”não quero mais”, assim como nunca devemos dizer: “tome o último mate”, porque só Deus que pode oferecer ele. Temos muitas tradições envolvendo o chimarrão, não é apenas toma-lo. Devemos tomar até a cuia roncar, só quem mexe na bomba é o cevador (aquele que faz o mate), pois seria uma grande falta de educação você mexer na bomba.
Nas estâncias gaúchas nunca faltaram as rodas de chimarrão, onde mateavam o peão e o dono da estância juntos. Nas charlas galponeiras, ao redor do fogo de chão, lugares onde foram tomadas as mais importantes decisões da nossa história. Ele é uma de nossas heranças indígenas que avançaram fronteiras pelo mundo todo.
Ninguém mateia com pressa, todo gaúcho que madruga, geralmente tem seus pensamentos equilibrados, hora de ordenarmos e planejarmos nossos negócios e nossa vida.
Essa data foi escolhida em forma de homenagem ao primeiro CTG (Centro de Tradições Gaúchas) fundado no RS, o CTG 35 em 24 de abril de 1948.
Hoje em dia nosso bom hábito de tomarmos o chimarrão se espalhou por todos os estados do Brasil e pelo mundo a fora.
A cidade de Venâncio Aires (RS) é a capital nacional do chimarrão, onde ocorre a FENACHIM, a festa do chimarrão, que tem como essência destacar a cultura da árvore erva-mate e o tradicional hábito gaúcho.
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