Nossa entrevista de hoje é com Jackson Brilhante, coordenador do plano de agricultura de baixa emissão de carbono do Rio Grande do Sul

Muitos são os efeitos e crises climáticas que abalam o Estado gaúcho, principalmente nas últimas décadas, O clima tem prejudicado muito os agricultores, pecuaristas e os gaúchos em geral, tanto no meio ambiente, afetando diretamente o cidadão e quem trabalha diretamente com o agronegócio, que é a grande parte da economia do Rio Grande do Sul.

Nossa entrevista de hoje é com Jackson Brilhante, coordenador do plano de agricultura de baixa emissão de carbono do estado do Rio Grande do Sul. Ele é engenheiro florestal, Doutor em Ciência do Solo, pós-doutor na área Bioinsumos, sendo que todos eles feitos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente trabalha na Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado gaúcho.

De que forma podemos diminuir a emissão de gases de efeito estufa na cadeia de produção?

…”Dentro da cadeia da agropecuária, de uma maneira geral, é vista pela sociedade como emissora e, pelo contrário, ela é uma cadeia que é parte da solução de todos os desafios climáticos. O único setor capaz de reduzir emissão é o setor agropecuário brasileiro. Por quê? Hoje, com a adoção de várias práticas da agricultura de baixa emissão de carbono, entre elas podemos destacar o sistema plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta, as florestas plantadas, os bioinsumos e a adoção de práticas de recuperação de pastagens degradadas é possível conciliar, produção e conservação. Algumas dessas técnicas que eu mencionei, por exemplo, o sistema plantio direto, quando bem adotado.

 O que é o sistema plantio direto? Consiste em três diretrizes, cobertura permanente do solo, de preferência com palha ou plantas vivas, de preferência plantas vivas, associado com a semeadura direta, restrita o preparo do solo na linha de plantio e a rotação de culturas. Então, o conjunto dessas diretrizes resultam em aumento de carbono do solo. E a gente vai ver que o carbono do solo é o principal indicador de qualidade.

 Por quê? Porque ele que vai permitir organizar as partículas do solo, a fração mineral, que é a areia, silte, argila, de uma forma ordenada. Então, o carbono, vamos dizer assim, a matéria orgânica, e que parte dessa matéria orgânica? 58% é carbono, o carbono é responsável por organizar essas partículas, vão ser organizadas de uma forma ordenada, e vão formar um solo bem estruturado, formando agregados, esses agregados vão formar poros, poros esses que vão ser responsáveis por promover um meio melhor e maior armazenamento de água no solo, e assim aumentar a infiltração de água. Então, quando a gente fala em adaptar essas práticas, significa, do ponto de vista ambiental, uma contribuição do setor na redução. Mas ao mesmo tempo um aumento da resiliência desse ambiente por produtor rural, porque ao mesmo tempo que ele vai estar conservando, aumentando o sequestro de carbono, ele vai estar estruturando o solo muito mais resiliente, mais adaptado a todas as mudanças climáticas, seja ela secas, quando a gente tem período de estiagem, seja em períodos quando a gente tem excesso de chuva como ocorreu nos últimos anos no Rio Grande do Sul.”…

Como podemos melhorar a produtividade de grãos diminuindo a utilização de agrotóxicos no combate as pragas e aplicando técnicas orgânicas de recuperação do solo?

…”Em relação à redução do uso de agrotóxicos, a gente pode responder no mesmo sentido da qualificação do sistema plantio direto, como eu comentei. Se o produtor adotar essas três diretrizes, fazer algum preparo do solo, restrito à lei de plantio, associado com a cobertura permanente do solo, ou seja, com palha morta e plantas vivas associado com a rotação de culturas, esse é um ponto bem importante, porque o que faz usar mais agrotóxico é o monocultivo, e quando a gente faz a rotação de culturas, você quebra esse ciclo de algumas pragas e doenças. Ao mesmo tempo, ele vai estar contribuindo, do ponto de vista ambiental, com a redução de emissão aumentando o carbono do solo, vai estar melhorando o seu solo, estruturando de uma forma que ele possa ser mais resiliente frente às mudanças climáticas, mas ao mesmo tempo também, ao longo do tempo, ele vai ter uma menor necessidade do uso de agrotóxicos, e a rotação de culturas é que permite essa redução no uso de agrotóxicos. O monocultivo de algumas das espécies que traz essa necessidade do uso de uma dose um pouco mais elevada de agrotóxicos, é isso, de certa forma. Adotando esse conjunto dessas três direituras do plantio direto, é possível então reduzir também os agrotóxicos.”…

 

 

De que forma as ações da COP30, especialmente a AgriZone da Embrapa colaborou para a diminuição das emissões de gases com as novas tecnologias rotacionadas com a Lavoura/pecuária/floresta?

…”O espaço da AgriZone foi sensacional, foi a vitrine da agropecuária brasileira. Lá foram apresentadas todas as tecnologias que dificilmente podem ser replicadas no restante do mundo.

Porque nós somos um país continental, temos uma diversidade de clima, solo, somos um país tropical, onde a gente consegue fazer três safras, quatro até em algumas ocasiões ao longo do ano, coisa que um país de clima temperado não tem. E a gente mostrou, por exemplo, tendo no caso do Rio Grande do Sul, painéis mostrando a sustentabilidade da produção do arroz, a pecuária sustentável envolvendo aspectos relacionados à rastreabilidade e estratégias também. A gente levou estratégias de recuperação de áreas atingidas pelas enchentes utilizando tecnologias inovadoras de enxertia associada com a aplicação de hormônios que induzem o florescimento precoce e isso pode ser uma importante estratégia para recuperar áreas atingidas pelas enchentes. E fechamos com a erva mate, que é uma árvore símbolo do Rio Grande do Sul, onde tivemos a oportunidade de também levar o chimarrão, uma bebida um pouco mais gelada para a COP30 e foi oferecida para várias pessoas lá no sentido de expandir o consumo da erva mate para além dos estados do sul. Então isso de certa forma mostra o potencial que a cultura tem. E hoje vem sofrendo com preços baixos, em razão do baixo consumo interno e despertando também que nós temos necessidade de levar esses produtos para outros estados e também para o exterior. Então, de certa forma, foi uma vitrine bem importante onde a gente apresentou várias ações da secretaria, na COP, mostrando o potencial do Rio Grande do Sul. E destacar que nós fomos a única secretaria que foi capaz de apresentar, uma secretaria da agricultura, no espaço da AgriZone, apresentar e propor painéis dessa natureza.”…

Escritora

Márcia Ximenes Nunes

Post Author: Márcia Ximenes Nunes

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