A desembargadora Nélia Caminha Jorge foi aclamada nova presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas. Os outros quatro magistrados que concorriam, Socorro Guedes, Cezar Bandieira, Airton Gentil e Lafayette Vieira desistiram de inscrições e apoiaram a magistrada. A nova presidente também teria contado com o apoio do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Mauro Campbell.
Para o cargo de vice-presidente, foi eleita a desembargadora Joana Meirelles e para o corregedor-geral, o desembargador Jomar Fernandes.
Os três novos eleitos devem tomar posse dos cargos no dia 2 de janeiro, mas ainda não há informações sobre o local definido.
Anteriormente, a posse dos dirigentes ocorria no mês de julho, mas houve nova escolha de data pelo plenário da instituição em 2021, para assegurar princípio da eficiência na administração pública e melhor aplicação da lei orçamentária. A Assembleia Legislativa publicou a Lei Complementar Estadual n.º 228/2022 para tal fim.
Em 131 anos de história do Tribunal, esta será a terceira vez que o Poder Judiciário do Amazonas contará com uma mulher no comando da instituição. E também será a primeira vez que, na mesma gestão, a Presidência e a Vice-Presidência da Corte serão ocupadas por desembargadoras.
Diálogo
Após concluído o processo de escolha dos novos dirigentes, o presidente do Poder, desembargador Flávio Pascarelli, saudou os magistrados eleitos e destacou que a aclamação destes era um claro sinal de que os membros do colegiado têm tido êxito nos esforços para manter o diálogo.
“Disputas para qualquer cargo diretivo são muito naturais, assim como também é natural que houvesse aqui, no Tribunal. Mas o dia de hoje mostra que estamos pacificados diante da aclamação dos que atuarão como novos gestores do Judiciário Estadual”. Ele destacou que a prevalência do “diálogo permitirá à nova gestão ter condições de fazer um trabalho magnífico porque terá o apoio dos desembargadores”.
Agradecimentos
Ao ser aclamada para assumir o mais alto posto do Judiciário estadual, a desembargadora Nélia Caminha Jorge agradeceu aos seus pares pela confiança nela depositada.
“Pretendo fazer uma gestão participativa porque sozinho ninguém faz nada. Conto com ajuda dos meus pares magistrados, dos serventuários e servidores do Tribunal de Justiça. É um sentimento de apoio e confiança. Já me sinto acolhida”, afirmou Nélia Caminha, acrescentando que sua expectativa é a melhor possível e que trabalhará para continuar aparelhando o Poder Judiciário estadual da melhor forma possível no sentido de ajudar os magistrados e servidores a prestarem uma jurisdição eficaz, plena e que a população espera.
“Que Deus me abençoe e que minha Nossa Senhora de Fátima me acompanhe e me ilumine”, comentou a magistrada eleita.
Nélia Caminha Jorge disse estar consciente que este momento é histórico para o Judiciário e “que o fato de ser a terceira mulher a assumir o cargo mais importante do Tribunal de Justiça do Amazonas é uma honra”. A magistrada dedicou sua eleição a seus pais, Adalberto de Lima Caminha e Edmeé Pereira Caminha (que foi magistrada), ao seu marido, filhos, demais familiares e à memória da desembargadora Liana Mendonça – falecida em maio deste ano – pelo incentivo e apoio.
A desembargadora Joana dos Santos Meirelles, que assumirá a Vice-Presidência do TJAM, enfatizou seu sentimento de gratidão diante do apoio dos demais desembargadores e comentou que a gestão será de entendimento e cooperação. “É com muita alegria e também sentimento de gratidão por ser reconhecida pelos meus pares, que recebo essa missão. É gratificante isso. Acredito que nossa gestão será de entendimento e de cooperação. Não mediremos esforços para atender ao nosso jurisdicionado. A sociedade nos demanda todos os dias, em busca de Justiça”, disse Meirelles.
Aclamado para o cargo de corregedor-geral de Justiça, o desembargador Jomar Fernandes contou que seu principal foco à frente da Corregedoria será aproximar o cidadão amazonense do Poder Judiciário.
“A Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas tem como missão precípua, inicialmente, orientar juízes e servidores quanto à prestação do serviço jurisdicional, fiscalizar o funcionamento da Justiça através de servidores e magistrados e, por último, há a questão disciplinar, que não podemos esquecer, e porquanto o Poder Judiciário há de ser fiscalizado para que entregue, da maneira ainda mais excelente, a sua função institucional. Eu quero dizer com isso que, fundamentalmente, a nossa missão é aproximar o cidadão amazonense do Poder Judiciário. Esse vai ser o nosso principal foco”, afirmou ele.
disse que seu sentimento, neste dia em que foi escolhido para corregedor, é de muita satisfação, como magistrado de carreira e há 36 anos servindo.
Mulheres no Comando
Ao fazer a saudação dos eleitos, a vice-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, Graça Figueiredo, lembrou que em 131 anos de história, é a terceira vez que o Poder Judiciário do Amazonas contará com uma magistrada no comando da instituição. A primeira delas chegou ao posto somente 111 anos após a instalação do Poder Judiciário no Estado – a desembargadora Marinildes Costeira de Mendonça Lima (que dirigiu a Corte entre 2002-2004). Doze anos depois, foi a vez da própria desembargadora Graça Figueiredo assumir o cargo (para o biênio 2014-2016). E agora, seis anos depois, Nélia Caminha Jorge ocupará a função, a partir de 2 de janeiro do ano que vem.
“Faço esses registros, não porque as mulheres sejam mais competentes, mas para apontar a dificuldade da ascensão das mulheres ao poder, antes só ocupado por homens. Felicito a desembargadora Nélia Caminha Jorge, a quem desejo muitas realizações, que Deus a abençoe e tenho certeza que competência não lhe faltará. E parabenizo nossa vice-presidente eleita, desembargadora Joana. É um marco a Presidência e a Vice-Presidência composta por mulheres. Teremos uma gestão excepcional, se Deus quiser. E também quero saudar o desembargador Jomar, nosso novo corregedor, e desejar a todos uma excelente gestão e que Deus abençoe a nós todos”, comentou a desembargadora.
Transição
Esta será a primeira vez que a administração do TJAM iniciará uma gestão em janeiro. Anteriormente, a posse dos dirigentes ocorria no mês de julho. A mudança foi decidida pelo plenário da instituição em 2021, sendo posteriormente aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada, com a publicação da Lei Complementar Estadual n.º 228/2022. A medida considerou o princípio da eficiência na administração pública e a melhor aplicação da lei orçamentária quando feita de forma simultânea ao exercício financeiro, que, no Brasil, coincide com o ano civil.
E para que a posse da nova gestão ocorra em janeiro, foi acertado que neste segundo semestre de 2022 o Tribunal seria administrado por uma gestão de transição, cujos dirigentes são os desembargadores Flávio Pascarelli, Graça Figueiredo e Anselmo Chíxaro, respectivamente presidente, vice-presidente e corregedor-geral de Justiça.
Joana dos Santos Meirelles
Joana dos Santos Meirelles, nascida em 1950, formada em Direito e Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e atua como professora de Direito Eleitoral. A magistrada iniciou a carreira atuando como titular na Comarca de Pauini e, posteriormente, em Boca do Acre, Borba e Careiro Castanho. Nesses anos, também respondeu, cumulativamente, por outras comarcas, como dos municípios das calhas dos rios Purus e Madeira, e atuou como juíza eleitoral em vários pleitos, principalmente, nas comarcas do Alto Solimões.
Promovida para a capital, atuou por quase um ano como juíza auxiliar da 1.ª Vara do Tribunal do Júri e, em seguida, assumiu a titularidade da 1.ª Vara Cível e de Acidentes do Trabalho da Comarca de Manaus.
Foi convocada para atuar como juíza auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça do TJAM. Integrou, por dois biênios consecutivos, a composição do Pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). Foi promovida ao cargo de desembargadora por merecimento em 2018, exercendo, atualmente, a função de presidente da Primeira Câmara Cível, de subdiretora da Escola Superior da Magistratura do Amazonas, de coordenadora da Infância e Juventude do TJAM e presidente da Comissão de Vitaliciamento de Juiz Substituto da Corte Estadual de Justiça.
Jomar Fernandes
Jomar Ricardo Saunders Fernandes graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e tem especialização em Direito do Estado pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro. Ingressou na magistratura em 1986, atuou como juiz em Humaitá e Itacoatiara; na capital, em Varas da Fazenda Pública Municipal, da Dívida Ativa Municipal e Vara Cível e de Acidentes de Trabalho.
Também atuou como juiz corregedor-auxiliar e como juiz auxiliar da Presidência e da Vice-Presidência do TJAM. Foi juiz eleitoral e atuou como coordenador e propaganda eleitoral. Também presidiu a 1.ª e a 3.ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Amazonas e atuou como coordenador de Cursos da Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam). Em 2016, foi promovido a desembargador pelo critério de antiguidade.
Nélia Caminha Jorge
Nélia Caminha Jorge, nasceu em Manaus, tem 59 anos e ingressou na magistratura no ano de 1989, assumindo, naquele ano, o cargo de Juíza Substituta de Carreira do TJAM na Comarca de Humaitá. Formada em Direito pela Universidade Federal do Amazonas, é pós-graduada em Direito Eleitoral e em Direito Civil e Processual Civil,
Em 2015, foi escolhida como nova desembargadora do TJAM, com 16 votos, ocupando a vaga deixada pelo desembargador Rafael Romano, que se aposentou em setembro daquele ano.
*Com informações da assessoria

