Vamos conhecer a gestão pública do prefeito de Alegrete
Em entrevista com nosso prefeito Márcio, ele nos conta quais são seus planos para a gestão pública de Alegrete.
“…Fazer GESTÃO PÚBLICA é um grande desafio em qualquer lugar do mundo, mas me arrisco a dizer que, igual ao Brasil, não existe nada igual. Sempre existe uma insegurança jurídica para a tomada de decisões e, para agravar o assunto, os prefeitos são aqueles onde os tribunais de contas dos estados resolvem querer demonstrar pra que existem. Não fosse assim, quem já viu um governador ou um presidente precisar devolver recursos aos cofres públicos, por não ter suas contas aprovadas pelos órgãos de fiscalizações? Para presidente já se viu até impeachment, mas contas reprovadas, realmente, eu desconheço. Já prefeitos, alguém sabe de algum que, ao contrário, não precisasse devolver algum recurso? Porém, as regras estão postas e precisamos lutar para que, em cima destas, possamos criar condições melhores para os cidadãos.
Assim sendo, creio que um dos principais objetivos dos novos gestores seja o de tentar modernizar a administração pública, mesmo com todas as dificuldades impostas, quais sejam: o inchaço da máquina pública, a excessiva burocracia, a famigerada estabilidade de emprego (que acaba por desestimular os bons servidores, já que os maus continuam seguros em seus postos, recebendo o mesmo que os demais por mais ineficientes que sejam, olha que tem muita gente boa), etc. Mas, é necessário que isso seja trabalhado através de planejamento estratégico, buscando o convencimento de todos os atores da administração, que passa pelos servidores concursados, contratados (emergencial e terceirizados) e os cargos em comissão, onde todos possam ter clareza do seu papel dentro desta grande equipe (um dos maiores empregadores, na maioria dos municípios do país) e que não esqueçam de que o cidadão é o grande cliente e ao mesmo tempo, não deixa de ser o patrão, pois é pra organizar a sociedade que existe toda essa estrutura. Muitos não se apercebem deste detalhe.
Desta forma, estamos procurando fazer o dever de casa, com o apoio de consultores externos, já que na gestão passada não tivemos condições de pensar algo neste sentido e que consideramos essencial para o sucesso de uma administração, onde cada um saiba da missão, visão e valores da gestão. Tendo-se isto claro, fica mais fácil de determinarmos onde queremos chegar pra melhorar a nossa cidade, seja na área da Saúde, da Educação, Segurança Pública, na Assistência Social, na Infraestrutura, ou qualquer outra área, pois todas são importantes e deveriam funcionar como uma engrenagem.
Logicamente que a pandemia veio para atrapalhar mais um pouco todo esse complexo que, por si só já não seria uma tarefa fácil. Assim, desde 16 de março de 2020 estamos semana a semana editando decretos, restringindo e flexibilizando o funcionamento das atividades, na expectativa da tão sonhada imunização da população, para que “possamos retomar a vida normal”, se é que poderemos tê-la de volta como imaginamos. Mas, o que se vê até agora é que o quadro só não se resolveu, como piorou nos últimos dias. Com uma taxa de óbitos que beira os 50% dos pacientes que chegam até às UTI’s, a pandemia tem se apresentado com muito maior gravidade do que uma simples gripe, como alguns se arvoraram a considerar no início.
Por outro ângulo, esquecendo um pouco o SARS Covid 2, não podemos esquecer de que estamos no maior município em extensão territorial do sul do país e que temos uma agropecuária pujante, que responde por mais de 60% do PIB do município e que passa por um momento ímpar em termos de valorização dos principais produtos como, soja, arroz, milho, gado de corte e leite. Portanto, se há algo à comemorar em meio a todo esse caos e amenizar os prejuízos de toda ordem (perdas humanas, fechamento de comércios, desempregos), estão os preços das commodities agrícolas, o que poderá ser um fator de desenvolvimento para a região, auxiliando na recuperação da economia no período pós Covid, aliás, como já vem fazendo a um bom tempo, salvando os números da nossa balança comercial.
No entanto, não podemos esquecer que, assim como os preços estão muito bons para o produtor, os custos de produção também subiram de forma exorbitante e é preciso ter cuidado com os investimentos e toda essa euforia em decorrência da alta dos preços dos produtos. Óleo diesel e outros insumos não param de sofrer altas semanais, portanto, alerta para a inflação que poderá mascarar esses altos valores praticados no mercado. O IGPM andou beirando os 24%….
Outra forma de fortalecimento da agricultura, principalmente para os pequenos produtores, é o incentivo à agroindústria, pois o processamento da produção vai agregando valor dentro da porteira, permitindo que, mesmo em uma escala menor o produtor tenha renda suficiente para manter a sua família e retroalimentar o sistema de produção. Esse é um de nossas principais ações junto à agricultura familiar.
Mas, para que isto seja possível, é necessário termos em mente que toda a produção precisa ser escoada e, portanto, há a necessidade de estradas em condições de boa trafegabilidade. E como se fazer isto num município que possui quase 4.500 km de estradas vicinais, quase todas sem pavimentação? Por incrível que pareça, este ano ainda que tenhamos contratado serviços de manutenção para 50 km, o restante dos 400 km mantidos de dezembro pra cá, foram todos realizados com mão-de-obra e maquinário próprio, o que, se fosse contratado em sua totalidade resultaria em um custo para o município de, no mínimo, R$ 4 milhões. Toda a arrecadação de ITR (o imposto territorial rural) gira em torno R$ 6 milhões por ano no município, portanto, mesmo sendo favorável à terceirização de alguns serviços, precisamos ter em mente que há um custo elevado e que se tornaria inviável para implantarmos em 100% da nossa necessidade, a terceirização na manutenção de estradas, como alguns apregoam.
Outro fator que tem sido motivo de muita preocupação da administração, é de como será a retomada das aulas presenciais nas escolas, haja vista a perda do ano letivo de 2020, para a imensa maioria dos alunos e a grande dificuldade de adaptar as escolas públicas para a redução dos riscos de transmissão do vírus no presente ano. Não podemos perder mais um ano letivo, mas como conviver com toda essa insegurança sanitária? Pensando nas escolas rurais, onde o transporte é feito por vários quilômetros, essa situação é ainda mais delicada, pois chegam alguns alunos a permanecer por mais de 2 horas dentro de ônibus entre o trajeto de suas casas até à escola, precisando do mesmo tempo para retornar à tarde para suas residências. Esse é um fato a mais para preocupar a nós gestores, deixando muita incerteza neste início de ano letivo de como será esse retorno. Sabemos dos avanços e da necessidade de novos métodos, para trabalhar num sistema híbrido de ensino, com parte presencial e parte on-line. Porém, isso ainda é algo que levará um tempo para se tornar realidade para a totalidade dos alunos, frente a dificuldade de acesso ao sinal de internet de qualidade no interior do município e até de aparelhos com tecnologia adequada para isso.
Portanto, o momento é delicado, sim, mas precisamos ter fé de que vamos superar essa fase mais aguda da pandemia e que, com a dedicação e esmero da população de um modo geral, nosso país continuará sendo esse lugar maravilhoso para se viver. Mesmo com as inúmeras ponderações que possamos fazer com relação a desigualdade social, corrupção, etc., ainda assim, com uma natureza privilegiada, somos um país onde praticamente tudo pode ser produzido, com condições climáticas e de solo para produzir alimentos para quase todo o planeta, com paisagens maravilhosas para receber turistas do mundo todo e se tornar uma das maiores economias mundial. Viva o Alegrete, o Rio Grande e o Brasil!”
Márcia Ximenes Nunes

