Hoje seria o aniversário de Ferreira Gullar, grande escritor, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras

 

Ferreira Goulart ou José Ribamar Ferreira nasceu em 10 de setembro de 1930 no Rio de Janeiro e veio a nos deixar sem os seus belíssimos poemas no ano de 2016.

Ele foi um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro, e um dos fundadores do neoconcretismo. Postulante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras.

 

Gullar foi reverenciado pelos maiores poetas e escritores brasileiros da sua geração.

Sobre seu pseudônimo, o poeta declarou que GULLAR era um dos sobrenomes da mãe dele e o FERREIRA era o sobrenome da família, como no Maranhão muitas pessoas chamam-se de Ribamar, ele decidiu mudar o seu nome, usando o Ferreira do pai e o Gullar da sua mãe, disse que era um nome inventado, como a vida é inventada ele inventou o seu nome.

 

 

Seus dez poemas mais apreciados são:

– Poema sujo

– Traduzir-se

– Agosto de 64

– Meu povo, meu poema

– Cantiga para não morrer

– Dois e dois: quatro

– Cantada

– Aprendizagem

– Praia do caju

– Não há vagas

 

 

Este poema remete aos dias de hoje.

 

FERREIRA GULLAR – NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira

 

Escritora

Márcia Ximenes Nunes

Post Author: Márcia Ximenes Nunes

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