Surgiram artesãos, santeiros, músicos, tipógrafos, marceneiros e construtores índios, que os padres formaram.
Os índios catequizados pelos padres jesuítas nos 7 Povos das Missões, no sul do Brasil, que foram uma obra notável dos religiosos, não só espanhóis, mas italianos, alemães, franceses, portugueses, etc.
Os padres missioneiros fizeram coisas extraordinárias: Trouxeram o gado que não se conhecia no Rio Grande do Sul; transformaram o índio em um notável montador de cavalos; deram uma formação anti-individualista ao índio, deixando-o viver coletivamente em cidades, fazendas, ervais, e o espírito comunitário.
Surgiram artesãos, santeiros, músicos, tipógrafos, marceneiros e construtores índios, que os padres formaram.
Juntaram suas lendas, tradições, costumes e evocações de muitas nações que se misturaram num valente programa de paz e unificação tribal.
O índio Sepé Tiarajú, líder guerreiro da tribo Guarani, converteu-se em lenda, mito, folclore, município e santo no Rio Grande do Sul.
Sepé Tiarajú foi morto em combate, pelo próprio governador espanhol de Montevidéu, José Joaquim Vianna. Foi morto por um tiro de pistola, na batalha de Caiboaté, em 7.2.1756.
As lendas do RS são cheias de temas indígenas, temos: A lenda do Cavalo Encantado; Salamandra do Jarau; Cada de M’bororé; Mãe do Ouro; Tupanciretan; Angoera; Anhangapitã; Urutau; Oiará; Mandioca; Milho, entre outras.
Atualmente existem 3 povos indígenas no RS, os Kaigang, Guarani e Charrua.
Temos o ano de 1.500, como a data de descoberta do Brasil, atribuída a Pedro Álvares Cabral e suas caravelas, mas esquecem de falar que ali já viviam os índios nativos da terra. Até hoje os donos da terra lutam pelos seus direitos e resistem a tudo.
Na Amazônia, vivem pelo menos 90 povos em situação de isolamento, ou seja, que não estabeleceram nenhum tipo de contato com a sociedade.
Os indígenas brasileiros, são um conjuntos de diferentes grupos étnicos que já habitavam o nosso país antes de ser descoberto.
Os indígenas valorizam a natureza e os indígenas mais velhos das tribos. Os homens costumam ser responsáveis pela caça e a defesa da tribo, e o papel das mulheres era cuidarem da casa e da agricultura. Veneram seus ancestrais e são liderados por anciões e pajés.
A alimentação é a base de frutas, legumes, verduras, peixes e carnes de caça. Os alimentos mais comuns são o milho, a mandioca, a batata-doce, amendoim e banana. Costumam a usar plantas na fabricação de utensílios domésticos, vassouras e cestos. Destacam-se nas danças indígenas, e em todo tipo de arte, pinturas rupestres, músicas, pintura corporal e arte plumária.
As palavras indígenas deram grande contribuição ao vocabulário gaúcho. Cidades, rios, animais, chás, lendas, lugares, etc. São identificados por palavras tupis e guaranis. A intensa participação do índio na formação do RS, deixou registrado em todos os recantos e na nossa cultura também.
Algumas palavras indígenas:
CAMOBI – Terra de muitas pontas de cerros; abundância de seios.
BOITATÁ – Boi é cobra e tatá é fogo, cobra de fogo.
CHIRU – Palavra que vem de “che” pronome e “eiru”, companheiro. Aqueles que comem do mesmo pão, comungam as mesmas crenças e pensamentos. Meu companheiro.
PIÁ – Filho pequenino, criança, modo carinhoso das índias chamarem os filhos, piazinho, piazito.
PIPOCA – Pele que estala, milho que estala.
TUPANCIRETÃ – Tupã (Deus), Ci (mãe) e Retã (Terra). Terra da Mãe de Deus.
Uruguay – “Y” quer dizer água, rio. Rio das águas em caracóis.
HUMAITÁ – Papagaio barulhento, lugar que ostentou um famoso forte de difícil manutenção, contra as tropas paraguaias na guerra entre o Brasil e Paraguai.
IBICUÍ – Rio das areias brancas.
IJUÍ – Rio das rãs.
JACUÍ – Rio dos Jacus.
JARAU – Senhor da noite.
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