Em 1º de setembro de 2025, a Guiana realizou eleições gerais que prometem definir o rumo do país mais uma vez no epicentro de um forte crescimento econômico impulsionado pelo petróleo. Dados apontam que a produção offshore chega a quase 900 mil barris por dia, gerando receitas anuais da ordem de US$ 10 bilhões. Segundo o Financial Times, a economia guianense se multiplicou nos últimos anos, com o PIB quase quintuplicando e estimativas projetando rendimentos de petróleo em US$ 41 bilhões nos próximos cinco anos.
Três forças políticas em disputa direta
A eleição põe frente a frente três principais candidaturas:
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Irfaan Ali (Partido Popular Progressista – PPP), atual presidente, busca reeleição com foco em infraestrutura, programa de governo forte e promessa de diversificação econômica.
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Aubrey Norton (A Partnership for National Unity – APNU), principal oposição, acusa o governo de corrupção e má gestão dos recursos do petróleo, defendendo uma maior redistribuição.
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Azruddin Mohamed (We Invest In Nationhood – WIN), novo candidato com apelo populista: promete aumento de pensões, benefícios diretos e busca atrair eleitores jovens e de todas as etnias, apesar de enfrentar sanções dos EUA por acusações de corrupção.
Eleição sob clima de tensão e fiscalização
A corrida eleitoral acontece em clima de preocupação. Houve relatos de disparos contra membros da comissão eleitoral em uma região de fronteira com a Venezuela — um episódio que reflete a longa disputa territorial sobre a região de Essequibo, rica em recursos naturais. Organizações como o Carter Center, a OEA e a Caricom acompanham o pleito, que também enfrenta críticas sobre o registro eleitoral e ausência de dados atualizados do censo populacional.
O pleito que define uma era
A eleição guianense vem sendo descrita como a “mãe de todas as eleições”, dado o impacto que terá sobre a gestão das imensas receitas petrolíferas, o equilíbrio étnico político e o futuro econômico do país. Com expectativas de uma vitória de Ali, seu governo ainda pode ver sua maioria parlamentar reduzida, ampliando a incerteza sobre governabilidade

