Uma paralisação de 48 horas de trabalhadores marítimos na Argentina interrompeu nesta quarta-feira as operações de embarque de grãos e produtos agrícolas, afetando portos e atos logísticos chave do setor exportador do país.
O movimento grevista foi desencadeado por sindicatos que se opõem a um projeto de reforma trabalhista promovido pelo governo argentino, já aprovado pelo Senado e agora em debate na Câmara dos Deputados. Os grevistas afirmam que as mudanças propostas ameaçam direitos trabalhistas e a estabilidade dos empregos.
De acordo com a Câmara de Exportadores e Processadores de Grãos (CIARA-CEC), a greve paralisou completamente as atividades de agroexportação, interrompendo a atracação e desatracação de navios, os serviços de apoio às embarcações e o transporte de práticos — especialmente no porto de Rosário, um dos principais centros de exportação agrícola do mundo.
A Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf) declarou que a ação visa defender direitos trabalhistas frente às flexibilizações propostas, incluindo mudanças nas condições de contratação, redução de indenizações por demissão e restrições ao direito de greve.
O sindicato dos trabalhadores da indústria processadora de oleaginosas (SOEA), com forte presença na região de San Lorenzo, também aderiu à paralisação, criticando o projeto como uma tentativa de “erosão dos direitos trabalhistas”.
A Argentina é um dos principais exportadores mundiais de óleo e farelo de soja, setor que agora enfrenta atrasos e interrupções significativas nos embarques por causa da greve, o que pode impactar o fluxo de divisas e a economia do país.

