Conflito entre forças militares rivais mergulha o Sudão em uma crise humanitária devastadora, marcada por violência extrema, deslocamentos em massa e apagamento internacional.
Por Antonio Ximenes, diretor de redação e correspondente na COP30 em Belém-PA
Belém (PA) — Dois dias após a abertura oficial, o segundo dia de debates da COP30, ocorrido em 10 de novembro, reforçou o protagonismo do Amazonas nas discussões globais sobre clima, energia limpa e adaptação ambiental. Em um dia marcado por intensa participação política e técnica, o governador Wilson Lima destacou o papel estratégico do estado como a unidade da federação mais preservada em floresta tropical úmida do mundo, chamando a atenção de delegações internacionais.
O dia também foi simbólico para Belém: assim como ocorreu na Rio-92, a capital paraense se tornou, oficialmente, a capital do Brasil até o dia 21 de novembro, refletindo a centralidade da cidade nos debates climáticos globais.
Amazonas apresenta três eixos essenciais para enfrentar a crise climática
No centro das discussões, o Amazonas delineou três pontos fundamentais que, segundo o governo do estado, precisam guiar as decisões globais sobre clima:
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Combate aos combustíveis fósseis;
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Transição acelerada da energia fóssil para a energia limpa;
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Implementação de um planejamento estratégico estadual até 2050, voltado exclusivamente para adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
O plano até 2050 foi apresentado como um modelo capaz de orientar políticas públicas e investimentos, especialmente em regiões sensíveis como a Amazônia, profundamente afetada por eventos extremos, queimadas e secas históricas recentes.
Parceria entre Amazonas e Pará fortalece plano de transição energética
Ao lado do governador do Pará, Helder Barbalho, Wilson Lima reforçou que ambos os estados têm condições de liderar a transição energética na região amazônica.
No caso do Amazonas, o compromisso é substituir gradualmente a energia movida a óleo diesel por fontes limpas em todos os municípios ainda dependentes desse sistema — uma meta considerada ousada, mas viável com o apoio dos fundos internacionais de conservação florestal.
A proposta foi vista por observadores internacionais como um passo decisivo para que a Amazônia se torne referência global na substituição de combustíveis fósseis.
Tribunais de contas defendem papel ativo no combate às mudanças climáticas
O debate contou com a participação de representantes de órgãos de controle.
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Intosai, Vital Dorrego, apresentou dados de uma pesquisa realizada em 100 países, demonstrando que os efeitos das mudanças climáticas podem — e devem — ser enfrentados a partir da atuação direta de gestores públicos.
Dorrego reforçou a necessidade de que cidades passem por adaptações profundas, tema também levantado por Wilson Lima ao lembrar que Manaus enfrentou recentemente situações críticas com fumaça, desmatamento e queimadas, mas que soube responder com políticas de emergência e preparação ambiental.
Também esteve em destaque a fala do presidente do Comitê de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Instituto Rui Barbosa, Júlio Pinheiro, representante do TCE-AM. Ele afirmou que os tribunais de contas precisam agir como “cães-guia e não cães de caça” ao orientar prefeitos na adoção de políticas climáticas — em referência ao programa federal Adaptacidade, do Ministério do Meio Ambiente.
Apoio internacional reforça preservação da floresta
A ministra do Meio Ambiente de Portugal, Maria da Graça, anunciou a contribuição de 1 milhão de euros ao Fundo Floresta, reafirmando o alinhamento entre Brasil e Portugal na defesa da preservação da Amazônia e na construção de políticas conjuntas de proteção florestal.
Um eixo de decisões que guia a COP30
Os debates de 10 de novembro ajudaram a consolidar o tom da conferência, evidenciando a importância do Amazonas no cenário climático global e ampliando o diálogo entre governos, organismos internacionais e instituições de controle.
As decisões e compromissos firmados no encontro passaram a orientar o ritmo das negociações que seguirão em Belém até 21 de novembro, influenciando diretamente políticas regionais, nacionais e internacionais voltadas à proteção da floresta e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

