Programação reúne formação profissional, assistência técnica e oficinas em áreas como produção de queijos maturados, cafeicultura, olericultura e apicultura; presidente Muni Lourenço destaca avanço da produção amazonense e necessidade de preparar o campo para os desafios climáticos
A 48ª Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro) se tornou também um espaço de formação e transferência de conhecimento para quem vive da produção rural. Durante a programação da feira, o Sistema FAEA/Senar Amazonas desenvolve cursos, treinamentos e oficinas voltados tanto aos produtores e profissionais do setor quanto ao público visitante, com ações que vão da produção de queijos maturados à cafeicultura, olericultura, apicultura e saúde no campo.
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA) e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Muni Lourenço destacou que a qualificação e a assistência técnica vêm sendo utilizadas como instrumentos para aumentar a qualidade da produção e, principalmente, agregar valor ao que é produzido no interior do Amazonas.
Um dos exemplos apresentados durante a Expoagro é a cadeia de queijos artesanais. Segundo Lourenço, o Sistema FAEA/Senar acompanha há alguns anos o crescimento do setor e tem investido na capacitação e assistência técnica aos produtores.
“Através do Senar, ao longo dos últimos anos, nós temos disponibilizado cursos de capacitação para esses produtores, assistência técnica de alta qualidade e, juntando com o talento do produtor rural amazonense, dos empreendedores rurais amazonenses, esses queijos, para orgulho de todos nós, têm despontado e obtido premiações nos principais concursos nacionais”, afirmou.
Queijo amazonense ganha reconhecimento
Durante a entrevista, Muni Lourenço citou como exemplo a trajetória da Queijaria Tradição de Lourdes, da produtora Arleane Figueiredo, de Autazes. Segundo o presidente da FAEA, um queijo maturado com café produzido pela queijaria conquistou medalha de ouro em competição realizada na França.
A história também está diretamente relacionada às capacitações promovidas pelo Senar. De acordo com Lourenço, Arleane reconhece que aprendeu a receita com uma técnica da instituição, que havia sido capacitada anteriormente em um curso de maturação de queijos.
Na 48ª Expoagro, esse trabalho ganhou continuidade com uma nova turma conduzida pela especialista Iris Parizotto.
“Estamos promovendo aqui na 48ª Expoagro uma nova turma desse curso, com a ministração por parte da professora Iris Parizotto, para 25 novas queijarias que disputaram essas vagas e mostraram um grande interesse para que outras queijarias também do Amazonas conheçam essa técnica e possam produzir queijo maturado, agregando valor”, ressaltou Lourenço.
Para o dirigente, o conhecimento técnico precisa chegar à renda das famílias que vivem da atividade rural.
“Isso é muito importante para, em última instância, agregar valor, melhorar a renda dessas famílias, dessas queijarias, e gerar emprego e renda no nosso interior do Estado”, completou.
A programação oficial do Senar confirma que o treinamento de maturação foi realizado em dois dias. Na segunda-feira (17), a formação abordou técnicas de marmorização no processo de produção. Na terça-feira (18), a programação avançou para atividades práticas, análise, degustação e debate. O treinamento foi direcionado a produtores e profissionais da área.
Paralelamente, a instituição disponibilizou atividades abertas aos visitantes, entre elas oficinas demonstrativas sobre produção de queijos maturados e análise doméstica de lácteos para consumo.
Capacitação vai além da produção de queijos
A programação do Senar na Expoagro abrange diferentes áreas da atividade rural. Nesta quinta-feira (20), por exemplo, a agenda inclui oficina de cafeicultura destinada a produtores atendidos pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Presidente Figueiredo, com abordagem de tecnologias de manejo. Para os visitantes da feira, a programação externa apresenta a “Trilha do Café”, demonstrando como o processamento interfere na qualidade do produto destinado ao consumo.
Na sexta-feira (21), o foco passa também pela olericultura, com conteúdo relacionado ao manejo do solo, pragas e doenças, além de uma atividade de benchmarking para apresentação e análise de resultados junto aos produtores atendidos pela ATeG.
No sábado (22), a programação inclui atividade sobre controle de sistemas produtivos no agronegócio e oficinas abertas ao público sobre ergonomia rural, prevenção em saúde e apicultura. Nesta última, os visitantes poderão conhecer práticas de manejo de abelhas e o uso correto de equipamentos de proteção individual na produção de mel.
As atividades continuam no domingo (23), com ações relacionadas à postura no trabalho rural, prevenção de doenças bucais e nova oficina demonstrativa de apicultura.
Melhoramento genético também ganha espaço
Além da qualificação profissional, Muni Lourenço chamou atenção para os avanços do melhoramento genético dos rebanhos do Amazonas.
Segundo ele, produtores do estado têm conquistado premiações em importantes exposições pecuárias brasileiras, demonstrando uma evolução que alcança diferentes segmentos da criação animal.
“Isso também é motivo de muita satisfação, verificar nos últimos anos como proprietários, produtores rurais e empreendedores do nosso agro têm levado o nome do nosso Estado ao topo da pecuária nacional, com animais campeões nas principais feiras e exposições pecuárias do Brasil”, afirmou.
Entre os exemplos citados estão criadores que investem em bovinos de corte e leite, além da criação de ovinos, caprinos e bubalinos. Para Lourenço, os resultados mostram a evolução dos investimentos feitos pelos produtores amazonenses em genética e qualidade dos plantéis.
A bubalinocultura também ocupa espaço na edição deste ano. O presidente destacou a quantidade e a qualidade dos animais expostos e informou que parte deles participa do Leilão Amigos da Pecuária, iniciativa com finalidade social relacionada ao apoio ao trabalho do Hospital de Amor.
Mudanças climáticas colocam produtores em alerta
A entrevista também trouxe uma preocupação que ultrapassa os limites do parque de exposições: os efeitos das condições climáticas sobre a produção rural.
Muni Lourenço afirmou que a redução das chuvas observada no início do verão coloca o setor primário em estado de atenção, com possíveis impactos tanto na agricultura quanto na pecuária.
“Esse início de verão está mostrando uma redução drástica no regime de chuvas, o que está colocando em estado de atenção todo o nosso setor primário, tanto na agricultura como na pecuária”, declarou.
Segundo o dirigente, a FAEA vem dialogando com autoridades e órgãos competentes para discutir medidas capazes de reduzir eventuais prejuízos econômicos e sociais. Entre as preocupações apontadas estão o isolamento e o desabastecimento de comunidades do interior, dificuldades para escoar a produção e a consequente perda de renda das famílias rurais.
Lourenço afirmou ainda que estão sendo analisadas propostas relacionadas à renegociação e até à possibilidade de anistia de dívidas rurais para produtores que eventualmente enfrentem frustração de safra ou prejuízos provocados por eventos climáticos severos.
Para ele, o setor também precisará ampliar a adoção de tecnologias de adaptação. Na agricultura, citou a irrigação; na pecuária, destacou a necessidade de reserva de alimentos para os rebanhos, com alternativas como silagem e implantação de capineiras.
“São questões que, cada vez mais, nós vamos ter que adotar, principalmente porque, segundo os especialistas, esse contexto de mudanças climáticas pode trazer um novo normal”, disse.
Com uma programação que combina formação profissional, assistência técnica, demonstrações abertas aos visitantes e debate sobre os desafios enfrentados pelo setor, a presença da FAEA/Senar na 48ª Expoagro evidencia uma estratégia que vai além da exposição agropecuária: aproximar conhecimento e tecnologia do produtor e ampliar as possibilidades de geração de renda a partir da produção rural amazonense.
Texto e Foto: Beatriz Costa

