Tecnologias sociais da Embrapa mostram como a agricultura familiar pode reduzir emissões, fortalecer comunidades e impulsionar soluções climáticas de baixo custo
Durante visita às vitrines tecnológicas da Agrizone, na Embrapa Amazônia Oriental, o ambientalista Fábio Feldmann, referência histórica na formulação de políticas ambientais no Brasil, destacou a relevância crescente da agricultura familiar no cenário global de mitigação das mudanças climáticas. Para ele, o setor reúne um conjunto de dimensões que extrapolam a simples produção de alimentos, tornando-se um pilar essencial tanto para a sustentabilidade quanto para a justiça social.
Feldmann ressaltou que a agricultura familiar brasileira é fundamental por múltiplas razões: pela variedade de alimentos que produz, pela forte capilaridade em territórios vulneráveis e, principalmente, pelo seu papel estruturante na inclusão social e no combate à pobreza. Segundo ele, modelos produtivos apresentados pela Embrapa demonstram como é possível fortalecer economicamente pequenos produtores ao mesmo tempo em que se promove segurança alimentar dentro das próprias comunidades.
Ao comentar as tecnologias desenvolvidas pela instituição, Feldmann enfatizou que muitos desses modelos já estão sendo replicados nacionalmente e até mesmo adotados por outros países, reforçando o protagonismo brasileiro em soluções de baixo custo e alto impacto socioambiental.
Um dos destaques da visita foi o “Sisteminha”, tecnologia social voltada à agricultura familiar que integra produção de alimentos e conservação ambiental. Feldmann classificou a proposta como “fantástica”, justamente por demonstrar, na prática, como a atividade agropecuária (historicamente vista como grande emissora de gases de efeito estufa) pode se transformar em aliada na redução das emissões e até no sequestro de carbono.
Para o ambientalista, iniciativas como essa representam uma importante mudança de mentalidade. Ele acredita que tecnologias sociais simples, acessíveis e de fácil implementação são fundamentais para acelerar a transição necessária no campo, permitindo que pequenos agricultores adotem práticas sustentáveis, aumentem sua resiliência e contribuam de forma efetiva para as metas climáticas globais.
Feldmann destaca que o maior desafio do século XXI passa justamente por integrar produção e proteção ambiental, e que soluções desenvolvidas no Brasil, como as apresentadas na Agrizone, indicam caminhos concretos e replicáveis para essa transformação.

