A trajetória, os sonhos e os legados deixados por gerações de imigrantes italianos no Brasil ganham forma, imagem e narrativa na exposição “Nonni do Brasil – Memórias da Imigração Italiana”, criada pelo jornalista genovês Oliviero Pluviano, correspondente da agência italiana ANSA em São Paulo por mais de duas décadas. A mostra será aberta ao público a partir do dia 13 de dezembro de 2025, no Pão da Estação, em Caxias do Sul (RS), com entrada gratuita.
A exposição tem como base o projeto “100 Nonni” (100 Avós), iniciado em 2013 com apoio da Fiat do Brasil, que entrevistou, fotografou e filmou imigrantes italianos e seus descendentes em diversas regiões do país. A iniciativa teve continuidade em 2020 com o projeto “Nonni di São Paulo”, que resultou na primeira exposição acompanhada de livro em português, dedicada à imigração italiana no estado paulista. A mostra percorreu dez museus e centros culturais, incluindo o Museu da Imigração, na capital, e o Museu do Café de Santos, com patrocínio da Bauducco, por meio das leis de incentivo à cultura.

Em 2024, ano em que se comemoraram os 150 anos da imigração italiana no Brasil, Oliviero Pluviano desenvolveu uma nova versão do projeto, reunindo perfis de imigrantes de diferentes regiões brasileiras. A exposição “Nonni do Brasil” foi apresentada no Museu Nacional da Emigração Italiana (MEI), em Gênova, acompanhada de um livro-catálogo, integrando as celebrações oficiais realizadas na Itália.
Agora, com apoio da Lei Rouanet e patrocínio da Cutrale, a mostra retorna ao Brasil em versão atualizada e repaginada. O circuito nacional tem início em Caxias do Sul e seguirá, em 2026, para outras três cidades brasileiras. A escolha do município gaúcho está diretamente ligada às comemorações dos 150 anos da chegada das primeiras famílias italianas ao Rio Grande do Sul, em 1875, nas colinas vinícolas da Serra Gaúcha.

A exposição reúne histórias de imigrantes que ajudaram a moldar diferentes regiões do país, desde o Sul até o Norte. Estão retratados personagens que seguiram da Itália para as florestas da Amazônia, para o Espírito Santo, Bahia, Paraná e São Paulo — considerada a maior cidade italiana fora da Itália, com cerca de sete milhões de oriundi.
Instalada em totens fotográficos, acompanhados de textos em forma de contos, a mostra apresenta trajetórias emblemáticas como a de Francesco Matarazzo, conhecido como o “Rockefeller brasileiro”; Geremia Lunardelli, o rei do café; conde Ermanno Stradelli, que viveu às margens do rio Amazonas no início do século XX; Luigi Bauducco, fundador do maior grupo produtor de panetones do mundo; Raul Anselmo Randon, referência na indústria de caminhões da América Latina; José Cutrale, responsável por revolucionar a produção de laranja em escala global; além de nomes como Paulo Bellini (Marcopolo), Valentino Tramontina, Attilio Fontana (Sadia) e muitos outros.

A curadoria de Oliviero Pluviano, no entanto, não se limita a grandes empresários e figuras públicas. A exposição também valoriza histórias menos conhecidas, mas igualmente representativas da imigração italiana cotidiana, como a de Lisena Montanaro, uma das avós da tradicional Festa de São Vito, no bairro do Brás, em São Paulo, e de Zélia Gattai, escritora e companheira de Jorge Amado.

Além dos totens, o público poderá conferir painéis com pequenas narrativas e fotografias de imigrantes ligados à Serra Gaúcha, como o escultor Bez Batti, Darcy Luzzatto, conhecido como o “homem do Talian”, Angelo Giusti, compositor de Merica, Merica!, e o frei capuchinho Achille Bernardi, autor de Naneo Pipea.

“Nonni do Brasil” conta com autoria e fotografias de Oliviero Pluviano, da Agência Moby Dick, diagramação de Yves Ribeiro, filmagens dos videomakers André Costantin e Daniel Herrera (Transe), arte gráfica dos designers Valentina Mion e Simone Lanore, de Lugano, além de expografia e produção da Fare Arte.
Serviço
Exposição: Nonni do Brasil – Memórias da Imigração Italiana
Período: 13 de dezembro de 2025 a 1º de fevereiro de 2026
Local: Pão da Estação – Av. Olavo Bilac, 363 – Caxias do Sul (RS)
Entrada: Franca
Patrocínio: Ministério da Cultura (Lei Rouanet) e Cutrale
Apoio: Comola
A exposição convida o público a revisitar a história da imigração italiana no Brasil a partir das memórias de seus “nonni”, revelando como essas trajetórias ajudaram a construir a identidade cultural, econômica e social do país.


