As exportações de carne bovina para a China e Hong Kong cresceram nos últimos anos. Isso é positivo. Por outro lado, uma dependência desses dois mercados é arriscada. A diversificação é sempre recomendável pelos especialistas.
Em tempos de pandemia, uma postura é ratificada e o governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), tem buscado isso. Um exemplo é a reabertura do mercado para os Estados Unidos, acordos Mercosul – União Europeia e novos mercados, como Indonésia e Tailândia.
Os pesquisadores da CiCarne apresentam o cenário das exportações para o país asiático, que exige atenção e traz otimismo, no Boletim CiCarne. Nos últimos seis anos, a proporção do volume exportado de carne bovina pelo Brasil para a China e Hong Kong cresceu consideravelmente, passando de 20,5% em 2014 para 63,4%.
Em 2014, o volume exportado para Hong Kong representava praticamente todo o percentual, sendo que isso se reverteu em 2018, quando a parcela da China o superou. Em 2019, quando 52,35% do total exportado pelo Brasil foi para as duas regiões, o volume foi de US$ 3,42 bilhões (US$ 2,68 bilhões para a China e US$ 741 milhões para Hong Kong) contra US$ 3,12 bilhões de todos os outros países importadores somados.
Em 2020, embora os dados sejam parciais, até o mês de maio, pode-se observar que a tendência de alta permanece, liderada principalmente pela China, com um volume de US$ 1,47 bilhões exportados, seguida por Hong Kong, com US$ 316 milhões, enquanto para todos os outros países importadores o volume foi de US$ 1,03 bilhões.
Esse aumento do volume e da parcela de exportações destinados à China e a Hong Kong trazem otimismo à cadeia produtiva da carne bovina em uma época de apreensão em relação aos impactos econômicos da pandemia na capacidade de consumo da população brasileira e dos principais países importadores. Entretanto, essa grande dependência de apenas dois compradores é preocupante.
Caso ocorra algum problema de ordem sanitária, econômica ou política, o Brasil sofrerá uma drástica diminuição em suas exportações de carne bovina e a busca pela diversificação de mercados é recomendável.
*Com informações da assessoria Fotos: Reprodução

